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terça-feira, 26 de novembro de 2013

E se...?

A Terra está quase a terminar mais uma roda à volta do sol, comigo ao colo.
Contas feitas, a prenda que me foi dada no ano passado foste tu.
Tão depressa te me deram, como te me levaram.
Não te contava. Desconfiava-te, mão te esperava.
Descobri-te depois de dores. Tantas dores.
Imaginei-te no melhor. O melhor de mim. O melhor do teu pai. O melhor dos teus irmãos que nem por sonhos imaginam que tu fizeste parte de nós.
Reagi a tudo, mostrando-me forte. Não verguei. Saíste e a vida continuou.
A nossa casa está igual. Os teus irmãos já estão na escola.
Está tudo igual. Menos eu.
Dou por mim a continuar a imaginar-te. Sentir-te. Querer-te o melhor.
Eras-me o quarto. Eras e hás-de ser-me o quarto.
Não importa quanto tempo te carreguei, se eras o que nunca chegaste a ser...
Não importa.
Importa este "e se" do tamanho do que te sinto, meu bebé.
Disseram-me que nem chegaste a ser um bebé. Repetiam vezes e vezes que eras uma massa.
Quis lá eu saber o que te chamavam. No meu âmago eras e continuas a ser um dos meus bebés. Um dos meus filhos.
Um dos meus filhos... Aquele a quem nunca embalei. Nunca dei um beijo de boa noite.
O filho que nunca chegou a sê-lo.
Adivinho-te a tez, os olhos grandes, o sorriso largo e o peito transbordante de esperança.
Esperança que te recorde; que por artes mágicas te sussurre que me és especial.
Imagino-te infinitamente na minha vida, na nossa casa, na nossa família.
Em jeito de segredo, desejo-me na nuvem em que dormes tranquilamente e encho-te de mimos. Tantos quantos te queria ter dado.
"E se"...
Onde guardar as gargalhadas e mimos que estavam prometidos para nós? O que fazer com tamanhas emoções? Conservá-las nos meus lugares distantes e ausentes?
Disseram-me que não chegaste a ter coração. Eras incompatível com a vida. Com a tua.
A tua, foi levada pelo vento.
A minha ganhou um pedaço de céu. Aquele em que te mimo.
Eras-me o quarto, meu pedaço de céu.
Descansa bem.