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segunda-feira, 25 de março de 2013

"É de minha livre vontade (...)"


 Vou dar-vos uma receita.

Não se come. Não se compra. Não se vê. Só se sente. Sente-se em cada respiração, em cada toque, em cada piscar de olhos.

Sente-se quase de forma invísivel para os outros.

Sente-se e ponto final.

Em tempos idos, eles começavam a relação. Estavamos em 2006.

Conheceram-se, ela perdeu a cabeça, acabou a relação que tinha, ainda mesmo sem saber se alguma coisa aconteceria com a nova pessoa.

Aconteceu! Não havia passado um mês e eles já namoravam. "Era coisa séria", diziam um ao outro.

Os dias iam passando e a felicidade de ambos era arrebatadora. Não discutiam, estavam sempre de mão dada e peito aberto um para o outro, assim era tomados como modelo/exemplo a seguir pelos amigos de ambos.

A felicidade era tanta que os planos começavam a crescer, a tomar dimensões maiores... Começavam a imaginar como seria se vivessem juntos.

Andaram, procuraram, correram e encontraram a casa. A casa que seria deles, só deles.

Pouco tempo depois de terem conquistado a batalha da casa, descobriram a notícia que mudou para sempre as suas vidas: ela estava grávida.

Viveram intensamente a gravidez. Felizes. Embora para ela tenha sido tremendamente difícil, tentou manter-se feliz.

Nascera o primeiro filho. Parto doloroso, demorado e quase infindável.

Nasceu e a primeira coisa que ele disse quando a olhou nos olhos, após terem colocado o filho de ambos, no peito dela foi "ele tem os teus olhos". Ficaram os três naquele hiato misturando felicididade e um alívio imenso por ter acabado o sofrimento.

Estavam dentro da nuvem de algodão que haviam criado e cinco meses depois do nascimento do primeiro filho, a história repete-se.

Teste de gravidez positivo. Ela estava grávida mais uma vez. Mas não era uma gravidez qualquer. Era gemelar. Ela estava grávida de gémeos, com um filho de cinco meses.

A nuvem que haviam criado começou a cinzentar-se. Desfez-se em chuva.

Eles pararam de falar. Pararam de estar juntos. Pararam de viver um para o outro. Ambos sabiam que a relação havia acabado, mas nenhum o assumia.

Arrastaram-se até perto do segundo aniversário do filho mais velho.

Até lá, as cortinas de ferro eram donas e senhoras da casa em que viviam todos os dias. A indiferença reinava por lá.

Foram alimentando sentimentos menos nobres um para o outro e o dia do adeus tinha que chegar.

Chegou. Em boa hora chegou. Estava insustentável aquela relação.

Ele, descobriu outra pessoa. Ela havia tropeçado noutra, também.

Poucos dias foram suficientes para que ele percebesse que, afinal, no meio da zanga com que saíu de casa, não era com ela que estava zangado. Era consigo mesmo.

Chegado o aniversário do filho mais velho, decidem que seria de bom grado darem uma segunda oportunidade um ao outro.

Deram. Cada um em sua casa. Ela ficou com os filhos, na casa de ambos. Ele ficou no ninho dos pais.

Pouco tempo depois, juntaram-se todos debaixo do mesmo tecto.

Prometeram-se fazer o que lhes fosse possível para que a relação não voltasse a ficar como estava. Para que não se criassem mais cortinas de ferro. Ambos começaram a ceder no que julgavam poder fazê-lo.

A crise levou-lhes a casa que haviam comprado, mas nada no mundo seria capaz de voltar a separá-los.

Ela costuma dizer que não tem uma estrela no céu, tem uma constelação inteira e ainda antes de terem ficado sem casa, conseguiram outra.

Os dias são passados com um calor imenso de afectos, de diálogo e do que lhes parece sensato fazer-se para que tudo valha a pena.

Ela não esqueceu (ainda) que foi trocada por outra. Ainda dói, quando pensa nisso. Mas a confiança nele foi recuperada. Isto importa.

Muito mais coisas passaram.

E no início do ano, decidiram casar. Casar como eles só. Simples, com poucos convidados físicos, mas imensos de outras formas.

As amigas dela, fizeram com que fosse vestida de noiva. E dizem que estava bonita. Vestido pérola com os acessórios e bouquet em fuschia.

Casaram num dia de chuva. Dizem que boda molhada é boda abençoada.

Eles acreditam que sim. Que será abençoada, não pela chuva, mas por toda a aprendizagem e bagagem que levam destes anos de relação.

Tudo isto para vos dar a receita da felicidade e chegada ao final, lembro-me do importante: cada um de nós tem a nossa própria receita para ser feliz e é com essa receita que devemos acordar todos os dias; mesmo naqueles que parece que não terminam.

É assim que a magia se faz. É assim que as borboletas andam sempre no nosso jardim.

4 comentários:

Bárbara disse...

E que sejas muiiiiiito feliz! Desejo-te tudo de bom do coraçao!! :D

paula disse...

é tão lindo. que continuem sempre assim, como agora :)

marta alves disse...

Lindo!!
Muitas felicidades!!!

Beijinhos**

Sofia disse...

obrigada, obrigada, obrigada!!! :)))

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