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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Cabelos brancos

Somos gerados no ventre das nossas mães.
Nascemos e logo começa a jornada da vida. Da nossa própria vida.

Vamos apredendo e crescendo de mãos dadas com os mais velhos e a dada altura notamos que eles carregam algo que não temos: cabelos brancos.
Dizem eles e o povo que os têm porque são sapientes e cheios de experiência. E nós, na nossa pura inocência, vamos acreditando e desejando, mesmo que em surdina, chegar àquele estado de cabelos alvos.

No nosso amâgo, acreditamos ainda, que carregam tais cabelos os mais velhos.
Cultivamos a vontade de ser adultos. Experientes e sapientes.
Chegada a fase adulta, uma das maiores ânsias é ter o condão de poder voltar atrás, retorceder a roda do tempo e fazê-la girar inversamente, para conseguir colher e recolher aquela magia que nos fazia acreditar que os cabelos brancos tinham super poderes.

Muitos de nós, perdemos pelo caminho essa capacidade de gerar magia.
Já eu, nunca quis ser adulta. Qual Peter Pan feminino. Cultivo ao exponente máximo o meu lado mágico.
Nunca me apelidei de adulta. De mulher, também não. Mulher carrega uma carga de crescimento grande.
E hoje fui confrontada com a tal sabedoria, experiência e coisas que tais.
Faço parte dos "mais velhos". Eles, começaram a mostrar que vieram para ficar.
Cabelos brancos. Encontrei um cabelo branco.
Não posso mais não ser adulta. Iria contra aquilo que escutei quando era pequena.

Mas a magia, essa mantem-se sempre comigo.
Ao observar o meu cabelo, caído, o meu filho mais velho apressou-se a pegar num dele e observá-o da mesma forma que eu observava o meu.
"Olha mãe! Também tenho um cabelo na mão, como tu."
Não perguntou porque olhava tão pasmada para um simples fio de cabelo. Não indagou nada. Apressou-se a fazer o mesmo que eu. Não lhe apeteceu saber o que é o cabelo branco.

Quis só manter esta magia, da descoberta do cabelo branco, desmistificando assim um sem fim de coisas.
Afinal, cabelo é cabelo. Não importa a cor que tenha nem a nossa idade.
Cabelos brancos. Tenho cabelos brancos. Mas também tenho castanhos e vermelhos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

No meu jardim...

Todos criamos um jardim repleto de flores, árvores de fruto, relva, água...
Criamos o nosso espaço comum com aqueles que nos são especiais e vamos regando as plantas com todo o amor que lhes damos. Alimentamo-las com a estima que lhes tomamos.
 

Invariavelmente, há sempre árvores e flores que são mais vistosas que as outras. Não o fazemos por mal. Mas as especiais prendem-nos mais.
Há história a unir-nos. E assim aparecem as borboletas no jardim, na barriga, entre nós e em nós.
 

Vamos vivendo e acreditando que a nossa árvore especial há-de sê-lo sempre. Habituámo-nos a isso.
 

E uma dia... Ai, um dia, somos surpreendidos com o que julgámos ser impossível.
A árvore especial deixou de ser importante. Não brilham mais os olhos. E as borboletas fugiram.
Crescemos! Estranhamos a diferença, mas é bom dar importância à árvore devida.
 

No meu jardim, não há lugar para pereiras. Já comi todos os frutos que da árvore podia colher.
 

No meu jardim, semeiam-se oliveiras...
 

É bom crescer, soltar as amarras das memórias e deixar de brilhar o que não brilha mais.
 

No meu jardim, não há mais pereiras.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Três anos teus, meus e nossos

Desejei-te tanto... Não cabe nas palavras o quanto te quis e imaginei. Mesmo sem saber se alguma vez seria presenteada com a tua chegada.
Cresci a dizer ao mundo que queria ser mãe. Não queria saber quem seria o pai. Mas queria ser mãe.

O mundo e todos os que hoje conheces, saberão reconhecer essa verdade.
Julguei que tinha nascido para tal. Ser mãe.
E quando menos esperava e tinha colocado à parte de tudo, essa vontade avassaladora, tu vieste.
O mundo, a quem tanto havia falado sobre ti, sem saber como serias, deu-te-me. O teu pai ajudou.


Todas as certezas que tinha até então dissiparam-se ao saber que fazias já parte de mim.


Que assustador. Tornou-se mais avassalador que o desejo de te ter.
És um dos meus imensos sonhos. Mas algo te distingue dos outros. És verdadeiro.
És meu, intrinsecamente meu.


Vens de mim. Trago-te todos os dias no peito, com um amor imenso que me ensinas.
Por entre sonhos, desejos e anseios, planeio-te o melhor do meu mundo. Do nosso mundo. O das gargalhadas, pulos, saltos e chocolates.


Dizer-te que te amo, não chega. Não condensa o que me és, meu menino.


És-me mais que muito. És-me tudo. És meu filho.


Que sejas sempre feliz e que eu possa dar a mão a essa felicidade.
Parabéns, meu príncipe. Que um momento feliz dure para ti, uma eternidade.

domingo, 17 de fevereiro de 2013

Ele voltava...

A medo, muito medo, ele reaproximou-se dela.
Entrou pela porta por onde tinha saído tão vazio de si mesmo.
Não tinha sido feliz e os planos que havia feito desfizeram-se tão depressa que não chegaram a tempo de ser concretizados.
Surgiu-lhe a certeza que era ela e só ela que lhe fazia falta.
Deu voltas e reviravoltas sobre si mesmo para assumir o tamanho do erro que fez.
Ela manteve-se de braços e peito aberto para o receber.
Num beijo, com a magia que só eles carregam, voltaram a namorar, a enamorarem-se um pelo outro.
Assim, conquistaram tanto... E reconquistaram-se.
A medo, muito medo, ele reaproximou-se dela.
Em jeito de epifânia o fez.
Trazia luz nas mãos, amor na voz e a certeza pulsante que não mais a queria deixar.
Foram construindo pontes para unir as distâncias que tinham e hoje conseguem chegar um ao outro de forma única.
Reescrevem a história que têm em comum há um ano...
Namoraram às escondidas. Só eles e os filhos sabiam que estavam juntos. Aos poucos foram mostrando a felicidade que havia sido recuperada.
Prometeram-se um ao outro, quase em jeito de jura de amor eterno.
Deixaram de construir castelos. Ela aprendeu a lição: não se constroem castelos, porque podem ser de areia e o mar é sempre mais forte que a areia.
Constroem o que lhes pertence: o seu mundo colorido.
Que todos os dias se lembrem que as palavras não secam mais. Que são importantes um para o outro. Que são um para o outro. Um do outro...
Curioso: hoje é domingo.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

(...)

Era domingo.
Era noite. Ele saiu pela porta com todas as malas que ela tinha feito durante a madrugada anterior.
Ela tinha no pulsar do sangue emoções tão difícieis de definir. Sentia raiva, uma vontade enorme de sucumbir, uma tristeza que consumia tudo o que de bom tinha. Afinal, como lhe costumava dizer ela "amava-o mais do que ao de melhor tinha".
Ele desfez tudo. Num ápice, virou costas e saiu.
Não quis saber. Não pensou.
Limitou-se a sair, mesmo com todos os pedidos que ela lhe havia feito para ficar.
Era domigo...
Era noite...
E aquele domingo, transformou-se na despedida mais difícil que tiveram.
Despediram-se rasgados em lágrimas.
Ele foi. Foi ser feliz. E ela ficou, como ela só.
Há um ano, era domingo...
E ainda magoa... Todos os domingos magoam, quando ela se lembra de tudo.
Todos os dias são uma luta diária contra essa lembrança.
Estão juntos, outra vez. Vão casar...
Mas há sempre domingos.
Era domingo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

As luas-bebés

Mãe sai à rua com filho, para ir ao café. Pelo caminho, mostra-lhe a lua no céu.

De regresso a casa, o filho aponta para o céu e diz:
- Mãe, olha! É a lua.
- Não filho. Ali é uma estrela.
- Não é estrela. É uma lua bebé porque é pequenina.

♥ ♥ ♥