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quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Eras-me o quarto




Começou a nova lufa-lufa, aquela que bem conheço de vómitos, enjoos e atraso.
Não, não foi o relógio de parede que parou. Foste tu que vieste. De mansinho, sem que ninguém te esperasse ou sequer desse por isso. Ainda assim, vieste.

Foste-me dando sinais que algo não corria bem e eu teimava em julgar que sim, ignorando por completo que cá estavas e que preguiçosamente te tinhas aninhado no sítio errado.
Ficaste-te pela viagem a meio caminho. Se tivesses nascido, serias, com certeza, preguiçoso. Adivinho-te assim.

Cheio de preguiça, de olhos grandes, pele de pêssego e maravilhoso.

És o meu grande nada. Um filho que não chegou a sê-lo. Dizem eles que nem coração tinhas.
Chamaram-te de massa. Vês como foste preguiçoso?

E as brincadeiras que tínhamos guardadas para nós com os teus irmãos? Estão como tu... Pelo caminho.
Decidiste ficar-te pela trompa. Será mais confortável? Disseram-me os médicos que o útero estava tão fofinho à tua espera e tu que para além de preguiçoso devias ser teimoso, não desceste.

Eras-me o quarto. O quarto filho.

Finalmente, davas sinais claros da tua existência: davas-me tantas dores que mal conseguia estar em pé.
Meu teimoso e preguiçoso, fizeste com que os exames tivessem resultado inclusivo. Já te disse que eras um malandreco?

Ninguém sabia o que te chamar a não ser de massa.
Eu como mãe que sou, chamei-te carinhosamente de massa-bebé. E andei contigo cá dentro. Acho que ainda cá estás.

E aos pouquinhos, a tua cama em mim, começa a desfazer-se. As perdas de sangue com aquela cor feia e cheias de coágulos, fazem-me crer que sim.

Quando o teu irmão mais velho nasceu, deram-me comprimidos para acelerar o nascimento. E agora, deram-me também comprimidos para que não me faças uma maldadezita e possas sair sozinho.
Vi-te lá, alojado com 10 mm de tamanho. Se estivesses no sítio certo, estavas já com aquele tumtumtumtum que nos faz vibrar as emoções.

Mas na preguiça e na teimosia fizeste-te assim. Diferente dos teus irmãos.

Costumo escutar que tenho o coração grande e hoje tive a certeza que se o tenho, é suficiente para valer por mim e por ti. Deste-me um alento estranho. Agridoce.

Encontra-mo-nos numa nuvem, massa-bebé. Daí, toma conta dos nossos ficha tripla.
Eras-me o quarto. És-me o quarto. Preguiçoso.

Um beijo que condense a alegria de todas as gargalhadas que estavam guardadas para nós.

Bom descanso. Tapa o narizinho para não teres frio.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

28 dia 28.



Sabem os que me conhecem, como às palmas das mãos, que adoro fazer anos. Festas de anos. Pós de perlimpimpim, encanto e magia, daquela que todos trazemos e carregamos connosco nas mãos, na voz e nas palavras.

Dizem os entendidos que a cada sete anos, a nossa vida muda. Dá-se início a um ciclo novo, com o fecho do anterior.
Sete. Aquele número mágico por si só.

Se pudesse fazer um desejo
, seria para que este ciclo fosse menos complicado que o anterior. Menos despreocupado.
Preciso de descanso e não apenas físico.



Esta senhora vida teima em dar-me situações menos fáceis e para as quais não estamos preparados para ultrapassar. E a verdade é que com mais cambalhota e menos pino, a coisa dá-se e tenho chegado a bom porto. Mas sinto tanto falta de descansar. De aproveitar as coisas, sem ter nenhuma nuvem em cima da cabeça. Não importa que chova, mas que seja ao meu lado e não em cima de mim.



Senhora vida, senhora vida... Era bom se me escutasses.



Sol, mais uma volta dada, comigo aqui. Obrigada pelos arco-íris que vão aparecendo.
E a todos os que fazem parte de mim, me ajudaram a crescer, a ultrapassar muitas destas dificuldades, aos que se preocupam, aos que se interessam, aos que me têm igualmente num lugar tão especial quanto têm em mim...



Obrigada por aturarem os meus ataques de mau-feitio, esta minha ânsia de falar sem me calar, de dizer sempre o que penso, a preocupação desmedida e quase cega que tenho com alguns de vocês e tantas coisas mais havia para agradecer.



Aos meus especiais, aos que me tomam como especial, aos que fazem parte deste meu mundo encantado, cheio de altos, baixos, cores, flores e pós de perlimpimpim regadas com gargalhadas e lágrimas valentes pelo meio, obrigada por tudo.



Bem-vindo sejas, novo ciclo. Cá estou, mais uma vez, como sempre, de braços abertos para o que estiver reservado para mim. 



Obrigada, vida por me existires. Mas deixa-me descansar...