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sábado, 27 de outubro de 2012

Silêncio ensurdecedor





A casa está tão carregada de pouca coisa.
Os móveis são os mesmos. As paredes também.

Estou eu e o gato. Os de sempre.

Foram-se os risos, os choros, as palavras e os mimos para serem partilhados noutra casa que os quer tanto e tão bem.

Voltam já amanhã com tudo a que tenho direito, mas estas saudades são já tantas.

Que silêncio ensurdecedor está aqui.
Não há migalhas no chão. Folhas espalhadas. Livros tirados da estante. Nem água que insiste em formar poças quando eles sorrateiramente viram o copo para baixo.

Não gosto de estar sozinha. Nunca gostei. Estou cansada, estafada, cheia de sono, mas não consigo dormir.

Fazem-me falta os filhos. O chão encharcado, as migalhas espalhadas...

Ninguém nos ensina ou diz ou explica a falta que os filhos nos fazem, com tão parcas horas de ida para outra casa.

Quantas e quantas vezes repetimos que gostávamos que eles - os filhos - não fossem tão barulhentos? Nem tão mexidos? Fossem mais sossegados...
E de repente, percebemos que eles só são felizes assim, tal como nós: com barulho de risos, gargalhadas, mexidos até mais não, com tempo de rasgar livros, asneiras feitas, pular na cama, pular na mãe, dançar em cima do pai, fazer as mesmas perguntas repetidas vezes...

Estou eu e o gato. Só até amanhã.


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