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sábado, 4 de agosto de 2012

Porque o ânimo e as histórias felizes são precisas


Estamos num momento em que o país, as pessoas, o mundo atravessa uma crise tremenda.

O desemprego é imenso e teima em não baixar. Há famílias a separarem-se por causa da crise. Casas a serem entregues, porque não há como esticar mais e mais. O dinheiro tem essa característica: não estica por mais que tentemos.

Então, aprendemos a esticar o que o dinheiro compra e o que dava para fazermos com uma lata de atum, passa a dar para fazer umas duas ou três vezes.

Aguça-se a lei do engenho e do desenrasca para que, dentro do possível, nada falte a ninguém. Ou se faltar, que consigamos passar essa fase com alguma coisa na barrigota.

Por aqui, as coisas não estiveram fáceis... Estiveram de tal forma más que não sei bem como me mantive mentalmente sã durante este tempo...

O desespero leva a isso. A que equacionemos tudo e percebamos que, se calhar, as coisas para além de más, podem piorar ainda mais. Acho que estava a começar a ficar dormente com as coisas todas, quase anestesiada.

Mas... Teimosa como sou, fui aguardando, ora pacientemente ora a desesperar, que tudo começasse a compor-se.

Estive sete meses desempregada. Nesse espaço de tempo, durante três meses estive separada do pai dos meus filhos (fiquei sempre em casa com eles nessas alturas) e pelo mesmo período de tempo, recebia apenas o meu subsídio de desemprego (inferior ao salário minímo nacional) e o abono dos meus filhotes. O pai dos meus filhos foi despedido quando recuperamos a relação.

A relação recompos-se. Depois do vendaval, tudo recomeçou... Estavamos - e estamos - "melhores" do que quando começamos a namorar ou quando nos juntámos. Mas devido a um erro por parte da entidade empregadora, o subsídio de desemprego demorou três meses a ser-lhe atribuído.

Com isto, a casa deixou de ser, naturalmente, paga e fazemos parte do bolo de pessoas que vai ter que entregar a casa ao banco.

O que podia ser uma coisa boa, porque assim passaríamos para uma alugada, quando tudo regressasse à normalidade e usufruir do porta65.

Qual quê? Outro pesadelo! Claro está que ninguém, de perfeito juízo aceita dois marmanjos com três filhos bebés e um gato, para arrendar uma casa, se ambos estão desempregados.

Outro tormento dos grandes havia começado: o que fazer e para onde vamos?

Cá me mantive na estupidez que me é conhecida e quando não sabia mais o que fazer a não ser manter o que sempre fiz desde que fiquei desempregada, chamaram-me para iniciar um recrutamento, cheio de fases e mais fases.

Fui passando todas. Uma a uma. Foram quatro fases de algumas horas.

Até que me ligam a confirmar que havia sido uma das pessoas seleccionadas. Iniciei formação e na segunda feira é o primeiro dia de trabalho efectivo. As condições são fantásticas. Estou a trabalhar numa área que gosto bastante.

E esta semana, foi-nos dito que conseguimos alugar uma casa. Com condições melhores, mais espaço, (bem) mais barata do que a que temos, com possibilidade de pedir o porta65. Assinamos o contrato ainda este mês.

Tudo isto, para vos dizer: não desistam, nunca. Por mais difícil que seja a situação. Por mais desespero que tenhamos. Por mais tudo...

A seu tempo, tudo, mas tudo, acaba por regressar ao normal, se assim tiver de ser, quando tiver de ser.

Quero assim, deixar um abracinho forte a quem está a passar pelo mesmo que passei. E é tão complicado lidar com tudo... Mas se eu consigo, de certeza que vocês também conseguem.

Muita, mas mesmo muita força.

Há que fazer das fraquezas uma força, mesmo quando possa parecer impossível.

As histórias felizes não existem só nos contos infantis. Nós podemos criar a nossa história feliz...

"E viveram felizes para sempre"

1 comentário:

Glória Lourenço disse...

Sem duvida que sim... Eu tb passei por uma fase complicada no meu casamento e estive a ponto de me divorciar, mas ao ler as tuas palavras e ver a provações pelas quais passas-te, pensei se este amor é importante para mim vou lutar por ele, e ao bocadinho estamos a reconstruir o nosso amor... Obrigado pela inspiração que és... Bjs para ti e para os teus pequenotes...

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