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terça-feira, 19 de junho de 2012

Casar-me

Desde que me conheço que a única pessoa com quem me queria casar era o meu pai. Valha-me o bom gosto.

Nem sequer me imaginava vestida de noiva ou de princesa, como acontece com muitas meninas. Não gosto de saltos altos, brilhos, penteados... Gosto é de andar de sandálias de couro, o cabelo o mais despenteado possível e com roupa em que me sinta bem e consiga respirar dentro dela. Só me visto "melhor" para ir a entrevistas de trabalho.

Casar com outra pessoa com que eu formasse um casal nunca fez parte dos meus planos. Vários motivos há.

Sou filha de pais separados, o exemplo de casamento-modelo, passou-nos ao lado. Dizia que não me queria casar para não ter que me divorciar.

Com o passar do tempo fui descobrindo mais e mais e mais e mais razões para não me casar, sempre somando à primeira.

Paga-se o casamento, mesmo que seja só fazer o registo do mesmo.

Se existir festa e convidados, encarece ainda mais. Bem mais!

Ele é vestidos, ele é fatos, ele é roupa para para a menina das alianças, ele é a própria da aliança para cada um dos noivos, ele é a comida para todos os convidados - mesmo que sejam só a família, fica um balúrdio que a minha família é grande. O próprio dinheiro é caro.

Passei por uma situação de roptura total na minha relação e isso ainda fez com que esta minha convicção se mantivesse.

Acontece que tenho visto as coisas de outra forma.

Não é porque o casamento dos meus pais falhou o meu também terá que ir pelo mesmo caminho.

Tenho tantas pessoas a engrandecer-me pelo que faço, pelo que digo, pela força, por tudo o que vão enumerando e pelo caminho dei um trambolhão tão grande que me esqueci de mim.

Fiz K.O. a mim mesma e anulei-me. Aconteceram tantas coisas tão repentinas em simultâneo. Como seria possível que eu piscasse os olhos, quanto mais lembrar-me de mim?

Com a relação terminada, lembrei-me que afinal existo. Eu, Sofia, mantenho-me aqui, mesmo depois das vicissitudes pelas que passei. É bom saber disso.

Pouco tempo depois da reconquista de mim mesma, apareceu ele. De braços e peito abertos para me ter de volta.

Veio de mansinho, porque afinal de contas, ele queria voltar, mas nada lhe dizia que era correspondido.

Aos poucos, fomo-nos reconstruindo. E estamos bem. Agora estamos.

Aparece assim, ao tempo, esta vontade estúpida e quase exacerbada de me querer casar com ele.

Para, afinal, ter um vestido em que não consiga respirar convenientemente. Para ter uma festa em minha honra, daquilo que fui semeando e agora colho. Para reunir aqueles que estiveram comigo nas alturas mais difíceis, mostrar-lhes que estou e estamos bem, agradecendo o apoio que me deram. Para viver aquele dia que nunca quis - o do casamento.

É! Quero casar-me. Ele não.

Estranhas as voltas que a vida dá.

6 comentários:

Anónimo disse...

Ca em casa a situaçao é a mesma , eu quero casar , o pai do meu filho nao !! Deixa-me triste, sinto que nao estamos os dois na mesma sintonia, que talvez eu me entregue mais que ele .E isso magoa-me . Enfim.
Um beijinho

Sofia disse...

Lamento a situação, uma vez que te entristece. Nós vivemos juntos, portanto, é como se estivéssemos casados. Apenas não tivemos direito a tudo o que é enumerado por aqui, com vestidos, festas e afins nem nenhum contrato civil assinado.
Por aqui, ele não quer casar por dizer que não acredita nos valores do casamento. Esquece-se é que união de facto e casamento é quase a mesma coisa.
Mas estou bem. Não triste.
Já conversaram francamente sobre o que passa, relativamente à parte da entrega?

Mãe disse...

Ohoh Tambem fui das que nunca sonhou em casar... simplesmente porque nao me dizia nada...Nunca sonhei com o dia nem o que levava vestido, so dizia que se casa se ia de calcas...lololo

Sou tb filha de pais separados, mas isso nunca interferiu nessa minha nao vontade de casar...Com o passar dos anos, e com o comeco de namoro com o meu marido, a coisa mudou... juntamo nos ca em Franca vivemos juntos 2 anos, e ao fim desse tempo kis casar... (tambem tava gravida da Ariana e em termos burocraticos (nomes e isso) era mais simples) ele nao queria...lolol acho que so casamos mais para me fazer a vontade, e para eu dar um gosto aos meus avos paternos... eu sabia que eles iam ficar orgolhosos e felizes por mim por casar me legalmente... nem assinamos papel (hoje em dia nao se assina mais lolol) ele nao queria casar pois os pais dele sao divorciados e com muitos conflitos!!! Mas sentia que mereciamos uma festa uma data algo que nos lembrassemos...
Se fosse hoje talvez tinha la ido ao destino feito os papeis e prontos tinha me poupado muitas dores de cabeca (pois tratei de tudo a distancia, nao convidei os familiares todos e deu falatorio, convidei apenas os mais proximos e importante, uns entenderam outros nao) e tinha poupado Euros, nao fui com o vestido que queria (Euros curtos, deu para um vestido que nao deixava respirar lololol) enfim... no fundo o que ficou foi a data... foi um dia stressante, chato, confuso, nao gozei nada! Mas prontos tou casada... dei orgulho aos meus avos e pais... e é tudo...lololol Va a minha sogra passou me a respeitar me mais, e a tratar por mulher do filho e nao namorada (distincao essa que nao faz com a mulher que ta com o outro filho dela, que nao é casada com ele... mas a ela é a mulher do filho eu que tambem tava junta dizia que era a namorada...lolol) criei um pouco mais de dor de cotovelo ao meu cunhado... lolololol

Se gostavas mesmo de concretizar esse desejo fala lhe mais vezes...lololol beijinhos e boa sorte!

Anónimo disse...

Sofia há momentos para tudo.. no meu caso tb vivemos juntos, ele quer casar-se e eu não! Acho que todos temos um determinado momento em que podemos ou não mudar de opinião, há desses momentos sem que estejamos a contar, desejo que o do teu homem chegue depressa e continuem sintonizados!
o importante é estarem bem e felizes! Que sejam muito felizes! :)*

Sofia disse...

Eu creio que gostava de me casar, não pelo casamento em si, porque a união de facto é, em tudo, semelhante ao casamento.
Gostava sim de reunir as pessoas que me são importantes, para celebrarmos esta fase do "está tudo bem", mesmo sendo tesos como tudo.
Sim, acho que é isso. E para além de celebrar a fase, fazê-lo a mim mesma, também.
Sinto falta de alguma coisa que me enalteça (não deve ser bem este o termo, mas não encontro mais parecido com aquilo que quero dizer).
É quase um capricho, esta coisa do casamento. Mas que gostava, gostava.

Joana de Miranda e Soalhães disse...

Como te compreendo!
Sou filha de pais separados e o meu 1º casamento não durou mais que 3 anos. Tive o meu dia de princesa, com direito a vestido, festa, fotos ... mas tudo foi oco, sem maturidade ...
Depois da separação e ao fim de 6 anos de relacionamento com o meu actual marido em que nem sempre estivemos na mesma sintonia, eis q chega o pedido: "Queres casar comigo?"
O meu 1º pensamento foi de que, se corresse mal outra vez, n estava preparada para passar por tudo de novo.
Repensei e cheguei à conclusão de q n devemos ter medo de ser felizes!
A tua decisão foi amadurecida mas se não tiver q ser agora, q seja qdo ambos estiverem preparados.
Q seja um dia tão mágico como foi o meu!!!

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