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quarta-feira, 30 de maio de 2012

A profissão mais gratificante do mundo

Corre de boca em boca que a profissão mais gratificante do mundo é ser mãe.

É o quê?!

Creio que deve ter sido um homem a definir isto ou alguém a almejar tremendamente a maternidade.

Vamos começar pela gravidez? Que gratificação há em vomitar desalmadamente, andar a ser picada com agulhas para fazer análises ao sangue com uma periodicidade curtinha? E quando chegamos aquela fase em que mais-parecemos-uns-pinguins-porque-parece-que-o-equílibrio-se-foi-e-não-há-mais-nenhuma-maneira-de-andar?

Parece que levamos em conta aquela música que passa no canal panda: "rabo de pato, pés de pinguim."

Chegadas a essa fase, entramos também naquela em que não há posição na cama e aqui pode ter-se em conta a conotação normal e a sexual.

Abençoadas aquelas que conseguem ter relações sexuais até ao fim. Para mim, era coisa a mais... Ora mexe o bebé, ora mexe o outro, depois mexe o pai e o meu cérebro entrava em curto circuito com tanta mexidela ao mesmo tempo.

Jasuse!

Para virar na cama é quase preciso contratar uma empresa de gruas... Ver os pés, epá, nem o umbigo via, quanto mais os pés.

Só me lembrava deles porque me doíam bastante por causa dos edemas. Ah e porque precisava deles para andar, claro está.

Depois vem o parto. Ai o parto...

Dores e mais dores, gritos e estamos à espera da melhor coisa do mundo a acontecer-nos. Quando damos por ela, algumas vezes, a melhor coisa do mundo passou-nos ao lado, tão rápido que parecia um tiro. E ficamos com aquela sensação de "afinal, onde é que está a melhor coisa do mundo?"

Ele há coisas...

Bebé nascido e lá vêm aquelas coisas de que ninguém fala. Já sabem a complicação que é e por isso, o desenrascanso impera, mesmo quando se diz o contrário.

A casa, que poderia estar sempre limpa e arrumada, começa a parecer um campo de batalha. O cabeleireiro que se tem, passa a ser a almofada, com tantas voltas que lá damos com a cabeça enfiada a ver se adormecemos. Mas nem sempre o cansaço pode ser combatido.

O que passa a ser combatido é o mau cheiro das fraldas. Oh-valha-ma-deus... Como é possível um pivete tão grande de rabecos tão fofinhos?

Cá em casa, como é em dose tripla, às vezes, parece que temos incenso de rabeco-sujeco...

Quando eles acordam com a fralda cheia de pui (nome carinhoso dado pelo meu filho mais velho), digo amorosamente que acordámos na m*rda. Ninguém gosta de acordar naquela coisa, mas dizem que ser mãe é a profissão mais gratificante do mundo.

Aliado a isto, começam as novas bandas sonoras. Choros e mais choros. Às vezes, os guinchos também aparecem e regra geral trazem os amigos gritos.

Assim se passam os dias... Entre dá-o-leite-vê-se-a-tempratura-é-boa-dá-a-sopa-não-ponhas-ainda-sal-dá-a-papa-também-chegámos-à-fruta-dá-fruta.

E com o passar do tempo, a banda sonora começa a mudar. Mantem-se a já existente, mas junta-se uma melodia nova. A dos risos e gargalhadas. E é aqui que parece que nos chega a melhor coisa do mundo. Esquecemos tudo o que está para trás e enchemo-nos daquelas-coisas-que-só-as mães-e-pais-sentem-com os-seus-filhos.

Mas aquele cheirinho do incenso de rabeco sujeco não escapuliu.

Aos pouquinhos, vamos acordando mais tarde e eles também. E passamos a ter mais um cabeleireiro. O nosso filho. Torna-se perito em mexer-nos no cabelo num ápice.

Dia após dia, vai aparecendo uma descoberta nova para filhos e pais. Chega-se à rotina e tudo flui melhor.

Mas aquele cheiro de rabeco-sujeco, chega a ser intragável e teima em não desaparecer.

Chega aquele dia em que ouvimos o nosso filho a chamar por nós quando acorda, vezes sem fim: "mãe, mãe, mãe" e quando lá chegamos com o peito cheio de coisas boas, escutamos a terminação da frase "mãe, papa!". Ficamos quase reduzidas e suplantadas à qualidade de sermos aquelas-pessoas-que-fazem-as-comidas-e-lhas-dão.

No meio de tanta coisa, ainda há aquele dia em que o pai olha para o filho estarrecido, quase em pânico a pensar que o filho havia comido chocolate e inocentemente pergunta:
"Filho, como tens os dedos cheios de chocolate?"
O filho, por sua vez, na sua maior inocência, responde:
"É cocó!"

Devo ter rido e chorado ao mesmo tempo com esta situação.

Ai a gratificação...

E a saga continua...

Começamos a ter o peito descaído. Quer dizer... O meu descaído não está, tem é uma submissão muito grande face à gravidade. De tal forma que tenho um mamilo a bater no joelho e outro no tronozelo.

Devo dizer que é do melhor que há para a auto-estima. Vivam as mamas!

Quando comprei casa, dizia sempre que precisava de um avental e nunca o cheguei a comprar. Certamente porque estava à espera do momento certo para ter um. Tal como deve ser com a virgindade.
É igual, a primeira vez é a mais difícil.

Não comprei avental, porque a gravidez dos gémeo foi tão fofinha que me deu um na barriga. Pois é, pois é! Comprar avental para quê, se tenho um permanente?

Já não era amiga de correr, agora, ainda menos. Senão, é ver-me com a lei da gravidade a pulular no peito e na pançola que anda para cima e para baixo a cada passo de corrida. Naaaa, definitivamente não é para mim. Já me chega ter o cabelo vermelho para dar nas vistas, não preciso de ter quase um sinal luminoso a apontar para mim.

Também temos a fase da partilha da comida. Tão fofinhos que eles são. Mastigam e depois partilham entre eles e pior que tudo... Partilham comigo.

Há alturas em que penso que eles devem julgar que são filhos de uma pássara.

Perdoai-os, meu Deus, que eles não sabem o que fazem e são puros.

Hoje, mantém-se a parte da posição. É preciso alguma ginástica para encontrar uma posição confortável em que não faça-barulho-na-cama-e-em-que-tanto-o-peito-como-o-belo-avental-desta-pançola-não-façam-constantemente-ploc-ploc-ou-chap-chap-dependendo-da-onomatopeia-que-preferirem.

Isto de ser mãe tem muito que se lhe diga, tanto que nunca mais saía daqui.

Ai eu!

Mais do que gratificante, é encantadora esta coisa de ser-se mãe, mesmo quando o perfume que patrocina isto tudo é aquele oriundo dos rabecos-sujecos.

São impagáveis todas as situações pelas quais passo com os meus filhos, em casa e fora dela.

Ser mãe não é uma profissão, é tão só ser-se o que tudo condensa a palavra mãe. Que tem gratificação, alegrias, gargalhadas, noites não dormidas, noites a sonhar como será a cara do nosso filho (saltei esta parte nos filhos todos), mas também tem uma preocupação constante e perpétua, aquela que nos faz querer que os nossos filhos estejam sempre bem.

E a certeza que faremos tudo para que eles estejam assim mesmo. Sempre bem.

3 comentários:

Paula OriMakeUp disse...

comecei de cara retorcida (não tenho filhos, ainda, não estou "vacinada" aos rabecos-sujecos) e terminei de sorriso rasgado.

és muito especial <3

Manina disse...

Olá Sofia.
Não conhecia o teu blog e adorei!
Tenho 2 bebes e identifiquei-me com tudo. Temos o mesmo incenso cá em casa!
Tem dias que nos dão cabo dos nervos e outros que só apetece agarrar, beijar e parar o tempo para ficar com aquela sensação eternizada!
Tem dias que penso que estes são os melhores anos da minha vida, com estes seres adoráveis e pequenos, que gostam de brincar e não se importam da avalanche de beijos; e ao mesmo tempo não sinto sanidade mental para os aproveitar melhor, sentir-me bonita e sorridente...o cansaço e a falta de tempo, aliado aos aromas de leite bolsado e fralda suja não ajudam. São anos de encantamento e de crescimento, porque o peso da responsabilidade e a paciência infinita já ninguém nos tira.
Vou acompanhar-te a partir de agora.
Beijinhos

Sofia disse...

Obrigada a ambas! ;)

Paula, quando tiveres o teu fazedor de rabecos-sujecos, vais ver que te vais conseguir identificar com muitas das coisas que aqui estão enumeradas.

Manina, tens toda a razão. Esta vontade de manter as sensações eternizadas é tão grande... No fundo, no fundo, sei que se irá manter tudo dessa forma. Basta olharmos para as nossas mães ou para quem nos criou para perceber que por mais anos que passem, mais asneiras que façamos, somos sempre aqueles-que-um-dia-tiveram-o-rabeco-sujeco.

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