RSS

terça-feira, 29 de maio de 2012

Este tic-tac arrebatador do relógio biológico

Quem nunca ouviu falar do relógio biológico?

Dizem os mais experientes que a dada altura da nossa vida, sabemos que queremos ser pais. Aparentemente, é aí que entra essa coisa do relógio biológico. Ao que parece, pelo que vamos escutando, ele é tramado, porque pára no tempo.

Parece que os ponteiros não giram mais. Ficam estagnados no "ser mãe".

Tenho três filhos, todos pequeninos. Bem pequeninos, por sinal.

Mas esta coisa do relógio biológico nunca me tinha chegado.

Aquele tic-tac que pára quando queremos ter um filho. Não o conhecia. Nenhuma das gravidezes foi planeada nem desejada.

Sabia, no entanto, desde pequenina que queria ser mãe. Quando me perguntavam o que queria ser quando fosse grande respondia sempre que queria ser mãe. Com o avançar do tempo, juntou-se o jornalismo e a fotografia, mas sempre mantendo o mãe quase como prioridade.

Andava tão atarefada com escola, trabalho, teatro, animações que não tinha namorado. Optei por não ter. Não me pareceu sensato que o tivesse, já que nem para mim tinha tempo. Assim, a parte do "mãe" foi ficando abafada. Guardada num cantinho meu.

Entretanto, tudo amainou e o tal namorado apareceu e com ele trouxe o reavivar da "mãe" que estava guardadinha.

Temos três filhos. Três filhos!!!

Não gostei nem um pedacinho de estar grávida, na primeira vez. Detestei. Mas sentir o meu filho a mexer-se dentro de mim, acaba por suplantar tudo. Era tão mexido e tenho umas saudades desmedidas de tê-lo assim, pequenino, a mexer-se...

Foi extremamente complicada a gravidez. Cheia de precalços, avanços e recuos. O parto foi pior ainda...

Mesmo depois de ter dito que não queria parir mais, fui bafejada com mais dois seres de luz. Os meus cerejas.

Gravidez calma e tranquila, dentro do possível. Um final complicado com internamento, risco de vida, pré-eclampsia, batimentos cardíacos border-line, taquicardia, picadas nos dedos para ver o nível de açúcar, depois de todas as refeições e outras coisas que tais...

O parto foi bem mais fácil que o anterior, mas tivemos uma situação bastante complicada para resolver que acabou por correr bem.

Está tudo bem. Todos estão bem. Estamos bem, dentro do que nos é ofertado, dadas as circunstâncias.

Chegou-me, há dias, aquele parar os ponteiros.

Não liguei, ao princípio... Que doideira.

Ainda pensei que talvez trocando as pilhas do relógio interior, solucionasse alguma coisa. Mas qual quê? Nem sei onde há pilhas para isto e o que não me faltam são pilhas. Pilhas de roupa! Pilhas de nervos! Pilhas de paciência! Pilhas de boa disposição! Pilhas de optismo! Enfim, pilhas e mais pilhas! E pilhas... De filhos!

Tennho três (!!!) filhos!

Não me parecia ser possível chegar a este estado, tendo já três filhos. Muito menos depois de tanta complicação.

A condição financeira (ou outra qualquer) é tudo menos favorável a ter-se mais um filho. Mais um? Podem ser mais dois, outra vez, que ali os mais ovários são experts em libertar mais do que um óvulo e parece que os espermatezóides do pai dos meus filhos são muito amiguinhos dos meus óvulos e não nadam para lá, voam!

Parou... O meu relógio biológico parou naquele tic-tac do "quero ter mais um filho".

Euromilhões, porque não me sais? Claro, não jogo. Tens razão.

Eu não percebo esta coisa... Estava eu tão quietinha no meu mundinho, com os meus ficha tripla e catrapimba! Lá vem o tal do relógio chatear-me a cabeça... A cabeça, as ideias e o âmago.

Será que ele não tem mais do que fazer ou melgar outras pessoas que ainda não tenham sido bafejadas com a maternidade?

Tendo conversar com ele, explicar-lhe que já tenho os meus ficha tripla, mas parece que pouco se importa com isso.

Estamos em luta, eu e o relógio. Ora, ora! Mas o que é isto? Quem manda em mim, ainda, sou eu. Não é cá um relógizeco-que-nem-sabia-que-era-tão-avassalador.

Raispartissem-o-meu-relógio-biológico... Mas gostava tanto de ter outro filho...

Sofia Maria Flausina, recompõe-te! Não há mais filhos para ti! Certo?

Entretanto, se encontrarem pilhas para este meu relógio, agradeço que tenham a bondade de me ajudar, porque já não o aguento mais...

7 comentários:

Mãe disse...

Ok tens 3 ja... ok as condicoes financeiras nao sao as melhores... mas pus me uma questao que nao obtive resposta neste teu post... e o pai que pensa ele??
Sabes que te digo?? antigamente a vida era tao ou mais dificil... e os filhos eram criados... ok amor nao enche barriga... mas tudo se arranja... Beijinhos e boa decisao!
Cecilia Oliveira

Shhh disse...

O pai pensa o mesmo que eu, ou seja, estou oficialmente maluquinha!!!

Mas foge a sete pés, mais pés houvesse, mais ele fugia, de outro filho.

Ficamo-nos pelos três ;)

Mãe disse...

hehehehehehe... pois eu compreendo vos... quem sabe quando a ficha tripla for maiorzinha...E boa sorte para controlares o relogio...lololol

Manina disse...

Ainda pensei que talvez trocando as pilhas do relógio interior, solucionasse alguma coisa. Mas qual quê? Nem sei onde há pilhas para isto e o que não me faltam são pilhas. Pilhas de roupa! Pilhas de nervos! Pilhas de paciência! Pilhas de boa disposição! Pilhas de optismo! Enfim, pilhas e mais pilhas! E pilhas... De filhos! - Adorei!
Ninguém escreve como tu.
Bastava compilar alguns posts e tinhas um livro que todas as mães e futuras mães iam adorar.
São as verdades que pouca gente fala!
Quanto ao relógio, é complicado aceitar que acabou. Três não é muito quando cada filho é diferente e cheio de vida, quando nos enchem o ego de mimo e de orgulho. Cada um tem uma mistura diferente de partes do pai e da mãe e é um bocadinho de nós que fica para a posteridade.
Mas a racionalidade leva-nos a pensar no dinheiro, na gestão de mais um filho... e depois venha o diabo e escolha. Os pais esses não compreendem o relógio e a ter mais filhos é mais trabalho para a mãe, certo?
O relógio vai fazendo tic-tac e o tempo é o melhor conselheiro!
Beijinho

Sofia disse...

Manina...

Ainda fiquei aqui no limbo do pensamento algum tempo. Tive que ler o comentário em voz alta e partilhá-lo com quem está ao meu lado para assimilar tanta coisa boa dita sobre mim.

Obrigada por tamanhos elogios à minha escrita.

Obrigada pela compreensão...

Obrigada por este sorriso enternecedor que me foi presenteado com o comentário.

Anónimo disse...

Sou Godushiinhaww do site de mae para mae e tens razao , eu sou como tu fogo =/ eu adorei =)

Sofia disse...

:) Obrigada!

Enviar um comentário