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sexta-feira, 4 de maio de 2012

"Esta palavra saudade"

Por vezes, andamos em voltas e reviravoltas dentro de nós mesmos. As arrumações grandes, fazem-nos, intencionalmente, mergulhar nesse mundo. Naquele que nos faz lembrar tanta coisa. Boa e menos boa.

Separar a roupa que não serve mais aos meus cerejas, colocar a roupa que era do Henrique, para o Benjamim, vasculhar as gavetas todas, para encontrar espaço para a roupa nova e que lhes serve, lembra-me a gravidez.

Aquele vai-não-vai do início e rapidamente chego à parte em que eles eram quase só meus. Todos!

Só meus, porque só eu os sentia de maneira tão minha e intrinsecamente deles. E era tão bom. Sentir cada pontapé, cada mexidela. Tanto numa gravidez, como noutra, a dada altura, para que eu andasse, tinha que segurar na barriga, por baixo, para a amparar e assim conseguir aliviar um pouco o peso tremendo que havia.

Virar-me na cama, era quase impensável; estive várias vezes para contratar alguém com uma grua, para que eu me levantasse.

Até estas coisas, estes quase pequenos nadas, são só meus e deles. Estivemos acoplados dias e dias...

Estas saudades boas, de ficar a conversar para a barriga, fazer-lhes festas... Sentir um bebé mexer-se é mágico, sentir dois bebés é estrondoso.

"Esta palavra saudade, ai palavra amarga e doce, estrangulada na garganta." Ary dos Santos

Assim é a saudade: amarga e doce.

Hoje, continuamos todos unidos. Temos outro cordão umbilical. O dos afectos. É mágica a relação que tenho com os ficha tripla.

Eles são, eternamente, parte de mim. E eu, sê-lo-ei para eles, também?

Não sei, mas sei que um dia, se encherão de orgulho, brilho e magia de mim, pela mãe e pessoa que sou.

2 comentários:

Cris disse...

Como te entendo.................. como me és tanto...................................

Ysa disse...

E pronto! Já to a chorar!

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