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terça-feira, 8 de maio de 2012

Esta coisa do engravidar


Descobrem-se posições melhores para engravidar, dias com maior propensão, comprimidos para ajudar a que a gravidez se concretiza, o diabo a quatro.

Chegam até as mais cepticas a falar com divindades, na esperança que as mesmas lhes concedam o pedido da maternidade.

Às páginas tantas, andamos a jogar como se fosse uma roleta, um tiro ao alvo. Sorte! Ou se tem ou não se tem.

Quando somos contempladas por essa sorte, parece que o mundo não nos cabe no peito e as palavras de alegria e medo são tantas que acabam por não conseguir sair de forma alguma. Condensa-se tudo num teste pequeno. Dissipou-se a vontade de engravidar. Damos as boas-vindas, com a voz trémula, a um novo mundo e uma nova vida. Mundo com mais cores, cheiros, emoções, sensações e preocupações.

Aquelas que não foram bafejadas pela sorte, começam a acreditar que são portadoras de algum problema. Esquecendo-se vezes sem fim que o problema pode ser só aquele - falta de sorte.

Durante a busca da maternidade, com tantas vezes não concedida, o sonho vai-se dissipando mais e mais. A força começa a fraquejar e quando alguém próximo engravida, chega mesmo quase a deitar tudo por terra, chegando a sensação do "porquê ela e não eu?".

Sorte! Tudo se resume a sorte.

Mas esta pode-se ir construindo dentro de nós. Acreditando, sempre, todos os dias. E quantas vezes, não damos por nós a ter coisas a acontecer quando quase desistimos delas? É a tal sorte que parecia perdida a dizer-nos que afinal, está connosco.

Esta coisa do engravidar tem tanto de desejo - muitas vezes - como de medo. Medo de falhar, cair, tropeçar, ficar rasgada durante a caminhada que tantas e muitas vezes foi desejada.

E não é que tudo se repete? Sorte e acreditar! São partes cruciais para que mesmo que venhamos a cair, tropeçar ou ficarmos rasgadas na viagem, consigamos olhar para o caminho que falta com o mesmo almejo que tínhamos quando tanto foi desejado.

Porém, mesmo com todos os medos e com a repetição do "não sei se sou capaz.", a certeza que nos cintila é que somos mesmo todas capazes e o caminho que fez até chegar onde estamos, seja ele qual for o ponto da viagem, foi feito da melhor forma que soubemos.

É como se fosse um comboio. Todas chegamos ao destino, ao mesmo tempo. Porém, um comboio é feito de várias carruagens e por isso, quando chegadas ao apeadeiro, há quem já esteja perto da entrada para o destino desejado e há quem tenha apanhado a última carruagem e por isso, precisa de andar um pouco mais até chegar ao ponto onde se encontram as que têm a porta diante as próprias.

Esta coisa do engravidar...

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