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quarta-feira, 7 de março de 2012

Reinam os cerejas há um ano


Começava a dança-balança das dores, do pára-arranca e do "vão nascer e eu não sei".

O frenesim do trabalho de parto... O parto!

Nasceu o Benjamim! Já se adivinhava alguma preguiçazita e por isso, teve que ter uma pequena ajuda para nascer. Crescido! Que crescido que ele era... "Mãe, tem aqui um rapagão." Chorou logo, para mostrar ao mundo que também tem voz.

Que bom! Um menino bom e saudável.

"Oh! Tem muito cordão, muito cordão!"

Muito cordão... Sabia lá eu o que era ter muito cordão. O que queria isso dizer...

Era chegada a vez da Violeta. Nasceu, mostrando ao mundo como primeira parte do seu corpo, o rabiosque. Não chorou. Não reagiu. Estava roxa, com a cabeça tombada. Inanimada. Sem vida. Pequenina. Tão pequenina a minha filha.

Feita a tentativa de reanimação com massagens, bomba de oxigénio, levam-na. Levaram-na. Nem sabia o que pensar. Só sabia que ela tinha "muito cordão" e que tinha nascido em "mau" estado.

A minha ignorância e estupidez fizeram-me acreditar que tudo se devia ao facto de ter nascido de rabiosque e por isso, devia ter engolido líquido amniótico.

"Se acredita em Deus, agradeça-lhe a luz que tem. A sua filha nasceu sem vida, mas está bem, neste momento."

Faz hoje um ano que a vida da minha filha foi colhida e recuperada com a ajuda que lhe era merecida. Faz hoje um ano que nasceu o meu rapagão. Enorme! Que grande que ele continua a ser. Faz hoje um ano que terminou aquela gravidez tão cheia de vida, mas tão solitária ao mesmo tempo...

Hoje, cimentam-se as certezas que sim. Que tudo valeu a pena. A solidão, a continuidade da vida, a vontade de ser mãe, uma, duas e três vezes...

Faz hoje um ano que nasceu, também, o mano-mais-velho.

Ficha tripla. Assim os nomeei a todos em conjunto. Eléctricos, cheios de vida, energia e alegria. São os meus filhos.

Os choros aumentaram, as rotinas foram mudadas, o cansaço teima em não ir embora e aparece o modo piloto-automático.

Mas também cresceram as gargalhadas. Oh gargalhadas boas as que são dadas a três e teimam em contagiar quem as ouve. Trouxeram, de mãos dadas, uma partilha imensa, entre si e para os outros.

Voltamos a viver a emoção da queda do cordão umbilical, do primeiro dente, da primeira gargalhada... Tanta coisa nos foi tirada, mas ainda mais nos foi dada. E a que nos foi dada é imensa, não tem preço algum. É demasiado valiosa para lhe ser atribuído preço. O valor, esse, é incalculável. Não há.

Há um ano que decidiram ver o mundo com os seus próprios olhos e senti-lo com as suas emoções. Deixaram de o fazer através de mim. E que felizes que eles são. Todos!

Um ano de reino cereja. Um ano de ficha tripla. Um ano a dar, partilhar e ensinar a viver nos afectos e com eles.
Um ano com a certeza de que as mães têm esta capacidade mágica de se dar e amar todos os filhos de igual forma. Cada um é especial à sua maneira.

Um ano, maternalmente, feliz, por lhes ter dado vida a todos.

3 comentários:

Um pouco de ti e de mim* disse...

Olá!!!
Parabéns aos Cerejas e há mamã tmb... muitas felicidades.
Beijinhos

Lisa disse...

ola Sofia, passei por aqui para desejar um feliz aniversario aos pequeninos, parece q foi ontem! beijinhos e muita luz

TeresaP disse...

PARABÉNS!!! Queria dizer-te que te deixei um desafio no meu blog... Bjs grandes*******T

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