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sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Senhor Deus...


Senhor Deus...

Escrevo-te, porque sinto que sim, que devo fazê-lo.

Obrigada por tudo o que me tem sido dado, pelas conquistas que tenho feito, pelo milagre que tenho comigo, em casa...

Obrigada pela luz que me é dada todos os dias...

Mas, Senhor Deus... Isto está a tornar-se cada vez mais difícil, parece que todos os caminhos vão dar ao mesmo sítio - lado nenhum.

E Senhor Deus, como se lida com esta tamanha desilusão e transformação de sentimentos?

Como se consegue largar tudo, assim?

É feio, eu sei, mas no fundo, sinto inveja de quem consegue atirar tudo ao ar. Gostava de conseguir ser assim, tão implacável, tão desprovida de capacidade de dar valor ao que fui construindo...

Mas não consigo. Senhor Deus, estou imensamente grata pelo que consegui, pela ajuda que me vai sendo dada daí de cima. Do tempinho que vais conseguindo encontrar para mim e para os meus.

Senhor Deus, que a clarividência desça em mim o quanto antes, porque este definhar é tão penoso...

Senhor Deus, dizem que só nos dás aquilo que sabes que conseguimos suportar, mas deixa-me dizer-te um segredo: eu acho que não consigo, desta vez, não. Quando chega a noite, oh dor maldita esta quando chega a noite... E depois, lá estás tu em conjunto com todos os seres que me querem bem, a mostrar que mais uma noite já passou.

Mas e a força? Onde pára a dita, quando me sinto a arrastar em vez de andar?

Tantos me chamam corajosa, mulher com M grande, só que convenhamos... Tanto eu como tu sabemos que não sou nada disso. Sou tão frágil que chego a fazer doer nos outros com esta fragilidade.

Senhor Deus, ajoelhei-me, cedi, verguei-me, cheguei mesmo a anular-me por aquilo que dizem ser o amor... O que recebi? Sabemos nós e ele que nada foi.

Senhor Deus, sei que tens preocupações maiores que o meu caso e por isso, deves tratar dessas primeiro, mas quero tanto que me dês a mão. Não quero colo, quero tão só a tua mão, porque ao contrário do que dizem, hoje não dói menos do que ontem...

Aqui, tem doído cada vez mais e mais e mais e mais...

Eu vou, eu corro, eu faço, eu, eu, eu... Eu sinto-me com mãos, pés e asas presas e é por isso que vai doendo mais e mais, sem cessar.

Não te falo com as mãos cerradas uma na outra, porque assim, o espaço para a tua ficaria reduzido... Falo-te de peito aberto, com aquela esperança imensa de acreditar que amanhã, o dia será melhor que o de hoje, mesmo quando tem sido o contrário...

Sabemos os dois que é essa esperança que me faz ainda estar aqui e procurar os tais caminhos que agora parecem dar a lado nenhum...

Senhor Deus, que o caminho seja menos trilhoso do que me parece agora; que eu lhes consiga sorrir sempre, mesmo quando me apetece carpir desalmadamente; que eu seja capaz de enfrentar, com a cabeça mais vezes levantada do que tombada, tudo isto...

E que chegue o dia, o tal, em que eu olhar para trás e me consiga encher de orgulho de mim e da luta que travei sozinha.

Obrigada, Senhor Deus.

"Enquanto todo o mundo espera a cura do mal
E a loucura finje que isso tudo é normal
Eu finjo ter paciência
O mundo vai girando cada vez mais veloz
A gente espera do mundo e o mundo espera de nós
Um pouco mais de paciência
Será que é tempo que lhe falta para perceber
Será que temos esse tempo p'ra perder
E quem quer saber
A vida é tão rara, tão rara"

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