RSS

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Eras-me o quarto




Começou a nova lufa-lufa, aquela que bem conheço de vómitos, enjoos e atraso.
Não, não foi o relógio de parede que parou. Foste tu que vieste. De mansinho, sem que ninguém te esperasse ou sequer desse por isso. Ainda assim, vieste.

Foste-me dando sinais que algo não corria bem e eu teimava em julgar que sim, ignorando por completo que cá estavas e que preguiçosamente te tinhas aninhado no sítio errado.
Ficaste-te pela viagem a meio caminho. Se tivesses nascido, serias, com certeza, preguiçoso. Adivinho-te assim.

Cheio de preguiça, de olhos grandes, pele de pêssego e maravilhoso.

És o meu grande nada. Um filho que não chegou a sê-lo. Dizem eles que nem coração tinhas.
Chamaram-te de massa. Vês como foste preguiçoso?

E as brincadeiras que tínhamos guardadas para nós com os teus irmãos? Estão como tu... Pelo caminho.
Decidiste ficar-te pela trompa. Será mais confortável? Disseram-me os médicos que o útero estava tão fofinho à tua espera e tu que para além de preguiçoso devias ser teimoso, não desceste.

Eras-me o quarto. O quarto filho.

Finalmente, davas sinais claros da tua existência: davas-me tantas dores que mal conseguia estar em pé.
Meu teimoso e preguiçoso, fizeste com que os exames tivessem resultado inclusivo. Já te disse que eras um malandreco?

Ninguém sabia o que te chamar a não ser de massa.
Eu como mãe que sou, chamei-te carinhosamente de massa-bebé. E andei contigo cá dentro. Acho que ainda cá estás.

E aos pouquinhos, a tua cama em mim, começa a desfazer-se. As perdas de sangue com aquela cor feia e cheias de coágulos, fazem-me crer que sim.

Quando o teu irmão mais velho nasceu, deram-me comprimidos para acelerar o nascimento. E agora, deram-me também comprimidos para que não me faças uma maldadezita e possas sair sozinho.
Vi-te lá, alojado com 10 mm de tamanho. Se estivesses no sítio certo, estavas já com aquele tumtumtumtum que nos faz vibrar as emoções.

Mas na preguiça e na teimosia fizeste-te assim. Diferente dos teus irmãos.

Costumo escutar que tenho o coração grande e hoje tive a certeza que se o tenho, é suficiente para valer por mim e por ti. Deste-me um alento estranho. Agridoce.

Encontra-mo-nos numa nuvem, massa-bebé. Daí, toma conta dos nossos ficha tripla.
Eras-me o quarto. És-me o quarto. Preguiçoso.

Um beijo que condense a alegria de todas as gargalhadas que estavam guardadas para nós.

Bom descanso. Tapa o narizinho para não teres frio.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

28 dia 28.



Sabem os que me conhecem, como às palmas das mãos, que adoro fazer anos. Festas de anos. Pós de perlimpimpim, encanto e magia, daquela que todos trazemos e carregamos connosco nas mãos, na voz e nas palavras.

Dizem os entendidos que a cada sete anos, a nossa vida muda. Dá-se início a um ciclo novo, com o fecho do anterior.
Sete. Aquele número mágico por si só.

Se pudesse fazer um desejo
, seria para que este ciclo fosse menos complicado que o anterior. Menos despreocupado.
Preciso de descanso e não apenas físico.



Esta senhora vida teima em dar-me situações menos fáceis e para as quais não estamos preparados para ultrapassar. E a verdade é que com mais cambalhota e menos pino, a coisa dá-se e tenho chegado a bom porto. Mas sinto tanto falta de descansar. De aproveitar as coisas, sem ter nenhuma nuvem em cima da cabeça. Não importa que chova, mas que seja ao meu lado e não em cima de mim.



Senhora vida, senhora vida... Era bom se me escutasses.



Sol, mais uma volta dada, comigo aqui. Obrigada pelos arco-íris que vão aparecendo.
E a todos os que fazem parte de mim, me ajudaram a crescer, a ultrapassar muitas destas dificuldades, aos que se preocupam, aos que se interessam, aos que me têm igualmente num lugar tão especial quanto têm em mim...



Obrigada por aturarem os meus ataques de mau-feitio, esta minha ânsia de falar sem me calar, de dizer sempre o que penso, a preocupação desmedida e quase cega que tenho com alguns de vocês e tantas coisas mais havia para agradecer.



Aos meus especiais, aos que me tomam como especial, aos que fazem parte deste meu mundo encantado, cheio de altos, baixos, cores, flores e pós de perlimpimpim regadas com gargalhadas e lágrimas valentes pelo meio, obrigada por tudo.



Bem-vindo sejas, novo ciclo. Cá estou, mais uma vez, como sempre, de braços abertos para o que estiver reservado para mim. 



Obrigada, vida por me existires. Mas deixa-me descansar...

sábado, 27 de outubro de 2012

Silêncio ensurdecedor





A casa está tão carregada de pouca coisa.
Os móveis são os mesmos. As paredes também.

Estou eu e o gato. Os de sempre.

Foram-se os risos, os choros, as palavras e os mimos para serem partilhados noutra casa que os quer tanto e tão bem.

Voltam já amanhã com tudo a que tenho direito, mas estas saudades são já tantas.

Que silêncio ensurdecedor está aqui.
Não há migalhas no chão. Folhas espalhadas. Livros tirados da estante. Nem água que insiste em formar poças quando eles sorrateiramente viram o copo para baixo.

Não gosto de estar sozinha. Nunca gostei. Estou cansada, estafada, cheia de sono, mas não consigo dormir.

Fazem-me falta os filhos. O chão encharcado, as migalhas espalhadas...

Ninguém nos ensina ou diz ou explica a falta que os filhos nos fazem, com tão parcas horas de ida para outra casa.

Quantas e quantas vezes repetimos que gostávamos que eles - os filhos - não fossem tão barulhentos? Nem tão mexidos? Fossem mais sossegados...
E de repente, percebemos que eles só são felizes assim, tal como nós: com barulho de risos, gargalhadas, mexidos até mais não, com tempo de rasgar livros, asneiras feitas, pular na cama, pular na mãe, dançar em cima do pai, fazer as mesmas perguntas repetidas vezes...

Estou eu e o gato. Só até amanhã.


sábado, 22 de setembro de 2012

"Faz as malas! Fugimos hoje."





Passaram por tanta coisa juntos.
Privações. Provações. Partilhas de bom. Afastamentos dolorosos. Foram felizes um dia; vários dias.
Quando se conheceram, tinham o peito transbordante de esperança que a tal pessoa lhes fosse apresentada pela
 vida. Foi esse o propósito pelo qual essa coisa do destino decidiu presenteá-los um ao outro com as suas companhias.



Tiveram frutos desse presente. Retribuíram à vida a prenda com três vidas imensamente felizes. Vidas que ela carregou no ventre. Nasceram para serem pais.



Julgaram que o amor que os uniu se havia desfeito. Criaram muros e cortinas de ferro.
Decidiram que estava na altura de mudar, de deixar de vida a correr lá fora, sem que a deles fosse aproveitada e por isso, tomaram rumos diferentes.



Afinal, a mudança que urgia era apenas a interior. Era preciso não se terem para recordarem que se a vida os deu de presente um ao outro. Para que a importância que essa prenda tem lhes fosse uma epifânia.
Agora, chegam ao final de um ciclo. Daquele em que a mágoa é quase latente e que o lar que foram construindo em tristeza, com paredes frias, cabeças desarrumadas e corações confusos, se muda para um espaço com luz. A luz do que os uniu.



É chegada a hora de ecoar vezes sem fim que depois de tanta volta, reviravolta e revolta neste carrocel a felicidade se instalou.



Abraçam-se infintamente na eternidade que têm em comum, desejando não mais perder o que os muros e cortinas de ferro lhes colheram aos poucos.



Acordaram da dormência que tinham e juntos conseguiram ganhar batalhas umas atrás das outras porque, finalmente, as mãos se enlaçaram e os passos são dados no mesmo sentido.
Para trás ficam as paredes frias duma casa tão cheia de mágoa em cada pedaço, tão cheia de vida e ao mesmo tempo oca, o negro da cortina de ferro.



E à frente deles está o que constroem - a felicidade - porque não mais largarão as mãos um do outro. Porque mesmo em silêncio dizem em uníssono que se amam.
Reconquistaram-se. Reconquistaram tudo o que os uniu.



Lá atrás, mesmo atrás ficam as quedas que deram, o que choraram, o que os fez andar em espiral sobre si mesmos.
À frente, para a frente e sempre na frente está uma porta imensa de um novo lar com luz, com esta importância tremenda que dão um ao outro e com a certeza que quando passada essa porta, manter-se-ão o que querem ser: uma família feliz - eles e a sua tríade.



"Faz as malas! Fugimos hoje." 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A correria da corrida


Hoje, prestei atenção às pessoas com que me vou cruzando pelo caminho que faço. calmamente e sem pressa de nad aou para nada.

As pessoas correm para apanhar transportes. Correm para sair dos transportes. Correm para sair duns transportes e apanhar outros. Em alguns casos, parece que voam.

Correm e correm...

Muito correm. Magros, gordos, novos, velhos, grandes e pequenos. O que interessa é não se perderem no caminho.

Caso encontrem alguém conhecido pelo caminho, está traçado o final. Sair a correr.

Estamos, inclusivamente, numa altura em que tudo é a correr. Pagar contas a correr, brincar a correr, comer a correr, (sobre)viver a correr.

Fico aqui no meu cantinho. Eu que detesto correr... Não corro. Não ando ao sabor da maré, mas não corro.

Será que as pessoas não perceberam, ainda, que não é por correrem a vida não anda mais depressa? Que andemos nós a voar ou a rastejar, a vida tem o mesmo ritmo? O seu próprio ritmo.

Eu não corro. Eu não vôo. Eu não rastejo.

Eu vivo de acordo com o que se vai passando à minha volta e se perder os transportes, há sempre outro à minha espera, mesmo que seja preciso que eu espere primeiro.

Muito se perde na vida que passa a correr...

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

"Dream a little dream of me"


Tenho vindo a pensar nos sonhos...

Naqueles que queremos ir alimentando para que não se percam pelo caminho, que desejamos tanto que chegamos a acreditar que um dia se tornarão reais.

Não tenho muitos. Tenho os suficientes para ir alimentando, outros para se concretizaem e outros tantos para ficarem naquele meu espaço que se assemelha às gavetas da memória do Dalí.

Vou tendo anseios que tento encaixar nesta minha nova roda viva que não pára de girar e gira tão rápido que parece que não lhe consigo acompanhar o compasso do andamento.

Ímpetos! Tenho tantos.

Mas sonhos... Quando era miúda, queria ser mãe de três filhos. Já os tenho.

Há anos e anos e anos, mesmo muitos, desde que aprendi a escrever que fui alimentado esta vontade tremenda e gritante de querer editar ou publicar um livro meu, com as minhas coisas, coisices, tagarelices e tantas mais "ices"...

Estudei para ser jornalista. Tenho quase toda a minha vida à volta da escrita e sei que é isso que me realiza. De tal forma, que como dizem amigos meus, seria quase capaz de pagar para trabalhar numa redacção e não me importaria. De todo.

Nasceu o meu blog desta vontade gritante de que falo. Mas não sei se me chega. Por enquanto sim. Tem chegado. Receio não lhe dar a devida atenção, agora que o meu tempo começa a fugir ao final do dia, por não conseguir sentar-me com calma a escrever.

É agridoce a sensação e as emoções.

Olhando para tudo, em jeito de retrospectiva, tem-me sido dada tanta coisa maravilhosa... Tenho conhecido tantas pessoas que adoro, que me fazem falta e com quem partilho tanta coisa...

E eu acho que sim... Que chegou a altura de, se calhar, arrumar estes sonhos, vontades e ímpetos numa das minhas gavetas. Tenho tantas ainda por preencher...

Há sonhos que foram feitos para ser isso mesmo: sonhos. Para que nos façam acordar, acreditando que um dia vamos conseguir chegar lá, para que mantenhamos esta magia nos olhos, nas mãos e nas palavras sempre que falamos do que mais queremos... Acreditando, mesmo que estando o sonho numa das nossas gavetas da memória, um dia, outro sonho ocupará aquela gaveta, porque concretizamos o que lá estava. Aquele que era o mais brilhante.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Gelado na ponta do nariz


Hoje pensei em ti... Larga e longamente.

Desejei-te tanto aqui... Para veres como estou.

Sabes? O tempo passou e já não tenho ninguém para me levar a passear, para comer gelados até ficar com a ponta do nariz suja... E principalmente, não há mais quem me diga "eia, quidinha, estás tão crescida." Quem tem razão são os outros, eu não estou crescida, sempre o fui.

Mas faz falta aquele teu ar com misto agridoce de espanto e felicidade por me veres crescer.

Cortaram-nos o caminho. Demorou tempo até me dizerem para onde te foram guiando os teus passos.

Dizia eu que queria ser arqueóloga e prontamente te apressaste a encontrar forma de me dar dinossauros, uns atrás dos outros...

E hoje o meu filho, aquele que tem o mesmo nome que tu, falou-me em dinossauros. Estivemos a brincar aos dinossauros, faziamos sons, fugiamos deles e assim, voltaram a ter magia...

Desejei tanto que com essa magia, pudesses ver os nossos bebés. Estarias infinitamente feliz... Porque eles seriam o mesmo que me são: o teu mundo.

Curioso como agora, sou eu quem lhes diz "estás tão crescido"... Eles estão imensamente grandes. Afinal, cresci mais.

Queria que os visses, que pudesses escutar as gargalhadas que são dadas a três e que viesses brincar aos dinossauros, outra vez. Só mais uma vez.

Quando o Henrique perceber, contar-lhe-ei a importância que os dinossauros têm para mim e para ti. Contar-lhe-ei quem eras, como eras, desejando que um avô dele(s), seja como tu para mim.

Porque a voz me treme com tantas saudades tuas, porque me rasgam estas mãos trémulas cheias de vontade de te abraçar...

Fico neste meu mundinho em que sorrateiramente vou tentando enganar a saudade de ti, com a crença que tu consegues vê-los, senti-los, escutá-los...

Daí, do teu pedaço de céu, vais viver comigo e com eles o primeiro passeio em que todos hão-de sujar a ponta do nariz, tal como eu fazia sempre contigo...

Tenho tantas saudades...

sábado, 4 de agosto de 2012

Porque o ânimo e as histórias felizes são precisas


Estamos num momento em que o país, as pessoas, o mundo atravessa uma crise tremenda.

O desemprego é imenso e teima em não baixar. Há famílias a separarem-se por causa da crise. Casas a serem entregues, porque não há como esticar mais e mais. O dinheiro tem essa característica: não estica por mais que tentemos.

Então, aprendemos a esticar o que o dinheiro compra e o que dava para fazermos com uma lata de atum, passa a dar para fazer umas duas ou três vezes.

Aguça-se a lei do engenho e do desenrasca para que, dentro do possível, nada falte a ninguém. Ou se faltar, que consigamos passar essa fase com alguma coisa na barrigota.

Por aqui, as coisas não estiveram fáceis... Estiveram de tal forma más que não sei bem como me mantive mentalmente sã durante este tempo...

O desespero leva a isso. A que equacionemos tudo e percebamos que, se calhar, as coisas para além de más, podem piorar ainda mais. Acho que estava a começar a ficar dormente com as coisas todas, quase anestesiada.

Mas... Teimosa como sou, fui aguardando, ora pacientemente ora a desesperar, que tudo começasse a compor-se.

Estive sete meses desempregada. Nesse espaço de tempo, durante três meses estive separada do pai dos meus filhos (fiquei sempre em casa com eles nessas alturas) e pelo mesmo período de tempo, recebia apenas o meu subsídio de desemprego (inferior ao salário minímo nacional) e o abono dos meus filhotes. O pai dos meus filhos foi despedido quando recuperamos a relação.

A relação recompos-se. Depois do vendaval, tudo recomeçou... Estavamos - e estamos - "melhores" do que quando começamos a namorar ou quando nos juntámos. Mas devido a um erro por parte da entidade empregadora, o subsídio de desemprego demorou três meses a ser-lhe atribuído.

Com isto, a casa deixou de ser, naturalmente, paga e fazemos parte do bolo de pessoas que vai ter que entregar a casa ao banco.

O que podia ser uma coisa boa, porque assim passaríamos para uma alugada, quando tudo regressasse à normalidade e usufruir do porta65.

Qual quê? Outro pesadelo! Claro está que ninguém, de perfeito juízo aceita dois marmanjos com três filhos bebés e um gato, para arrendar uma casa, se ambos estão desempregados.

Outro tormento dos grandes havia começado: o que fazer e para onde vamos?

Cá me mantive na estupidez que me é conhecida e quando não sabia mais o que fazer a não ser manter o que sempre fiz desde que fiquei desempregada, chamaram-me para iniciar um recrutamento, cheio de fases e mais fases.

Fui passando todas. Uma a uma. Foram quatro fases de algumas horas.

Até que me ligam a confirmar que havia sido uma das pessoas seleccionadas. Iniciei formação e na segunda feira é o primeiro dia de trabalho efectivo. As condições são fantásticas. Estou a trabalhar numa área que gosto bastante.

E esta semana, foi-nos dito que conseguimos alugar uma casa. Com condições melhores, mais espaço, (bem) mais barata do que a que temos, com possibilidade de pedir o porta65. Assinamos o contrato ainda este mês.

Tudo isto, para vos dizer: não desistam, nunca. Por mais difícil que seja a situação. Por mais desespero que tenhamos. Por mais tudo...

A seu tempo, tudo, mas tudo, acaba por regressar ao normal, se assim tiver de ser, quando tiver de ser.

Quero assim, deixar um abracinho forte a quem está a passar pelo mesmo que passei. E é tão complicado lidar com tudo... Mas se eu consigo, de certeza que vocês também conseguem.

Muita, mas mesmo muita força.

Há que fazer das fraquezas uma força, mesmo quando possa parecer impossível.

As histórias felizes não existem só nos contos infantis. Nós podemos criar a nossa história feliz...

"E viveram felizes para sempre"

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

"Se acredita em Deus, agradeça-lhe a Luz que tem"


Ouve-se desde tenra idade, mesmo sem sabermos sequer o que isso significa que a vida dá muitas voltas.

A verdade é que até que a nossa roda da vida comece a girar, mesmo depois de crescidos, cá nos vamos mantendo sem perceber muito bem que significado sentido aplicar àquilo.

"A vida dá muitas voltas." Dizem eles quando algo não acontece da melhor forma.

Assim como também vamos enraizando que depois da tempestade vem sempre a bonança. Esta parte, de mais rápida compreensão, na medida em que basta olharmos para as condições climatéricas. Não há chuva que se mantenha para sempre. E por vezes, até somos banhados com a luz do arco-íris, quando o sol e a chuva se cruzam de maneira colorida.

Se pensarmos bem, há ainda o "quem espera sempre alcança".

Ali atrás, falei sobre os ciclos astrológicos. Aqueles de sete em sete anos.

Os meus 28 anos estão próximos e parece, que ao fim de tanta chuva, tempestade, ventos e vendavais, as coisas começam mesmo a compor-se. Aos poucos. Devagar. No tempo devido, depois do desespero.

"Se acredita em Deus, agradeça-lhe a Luz que tem." Frase dita no nascimento da minha filha e que tem sido aplicada a tanta coisa... No trabalho.

Estou a trabalhar no sector energético, na Luz. E desde aí que tudo começa a fluir. O que então parecia estagnado está em movimento constante.

A minha roda da vida, voltou a girar. E a vida dá mesmo tantas voltas...

Estou a trabalhar, mas ganhei muito mais do que um posto de trabalho... Ganhei pessoas, ombros... Tanta coisa boa.

E mais um impossível foi conseguido.

Definitiva e indubitavelmente, depois de tanta privação e provação, o novo ciclo vai começar da melhor forma. A lei do retorno começa a vir ter comigo e com os meus.

Que esta Luz se mantenha ao meu lado e dentro de mim, durante todos os meus dias...

Com o peito e o âmago cheio de luz, deixo, mais uma vez, o meu agradecimento a todos os que têm estado comigo. Às pessoas e ao Universo, por me mostrar que afinal, sou capaz de suportar coisas e situações aparentemente impossíveis de ultrapassar.

E a ti, senhor Deus. Obrigada. Pela Luz... Toda a Luz.

Cheira a flores...

ps: obrigada também a quem tem continuado a clicar na publicidade. No mês passado chegámos aos €10. Muito, muito, mas mesmo muito obrigada.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Era uma vez... Tantas e tantas vezes.


Todos, ao longo desta nossa caminhada, vamos tendo datas e marcos importantes que muitas vezes, podem fazer-nos dar voltas, reviravoltas e muitos deles piruetas tão grandes que ficamos virados do avesso e é do avesso que precisamos aprender rápido, quase à velocidade da luz que nada mais vai ser como dantes, depois dessas mudanças.

O antes fica remetido a isso mesmo a um "antes" que condensa num ai as vivências tidas até então. E noutro ai, em jeito de dor olhando de soslaio para o espanto, a nossa vida nunca mais volta a ser a mesma.

O mês de Julho, por aqui, é farto em emoções dessas.

Foi nesse mês que soube que ia ser mãe. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. Tripliquei-me, dividindo-me neles três.

O chão, tantas vezes me fugiu dos pés que tive que aprender a voar. Assim, não precisava mais do chão. Descansaria numa árvore.

Mas o vôo nem sempre foi fácil de manter. Tantas vezes precisei, afinal do chão, e ele não estava.

Uma, duas, três, quatro, cinco, tantas, tantas vezes...

A incerteza inicial, deu lugar a uma dúvida maior. "Ficarão todos comigo ou um irá bilhar perto das nuvens?"

A angustia de não saber a resposta a esta pergunta era maior do que a decisão das decisões. Ficar ou não com todos.

Fiquei. Ficámos. Eles são uma tríade e as tríades só estão bem com todas as pontas e elementos juntos. Eu sou o centro da tríade.

Contra a maré, algumas vezes, lavada em lágrimas, decidi manter-nos unidos. Eu e eles. Eramos quatro. Passámos a ser quatro. Mãe e filhos.

Nos mares, há também, voltas e reviravoltas e quis o mar em que nevegava carregando-os, ora no ventre ora ao colo, que fossemos bafejados com um vento encantado que nos levou a bom porto. A todos.

O embrião que podia não evoluir, desde cedo mostrou a força de viver tremenda que tem e carrega consigo a todo o instante - a Violeta.

Há dois anos que começou o princípio do resto da minha vida. Porque ela deixou de ser só minha. Passou a ser vivida em função de três seres de luz que carreguei comigo e gerei. Foi invadida por cheiros, cores, sabores e emoções tão fartas como só nossas.

Era uma vez, duas vezes... Outra vez.

E numa vezes, eles, encherão o peito de orgulho da mãe que escolheram.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

As conversas ao telefone


E ele anda numa de falar ao telefone.

Fala, fala, fala, fala e continua a falar...

Ontem, fui dar com ele, com o telefone do intercomunicador da rua ou lá-como-se-chama-aquilo-que-dá-para-a-rua na seguinte conversa:

"'Tou?! 'Tou? Quem fala? Quem é?"

Andou nisto algum tempo. Acabou por desistir porque não havia ninguém do outro lado para falar com ele.

Fica pesaroso a olhar para a maquineta-telefoneta e eu pergunto como é que estava a falar agarrado àquilo.

Peremptoriamente diz-me "Com a boca".

E assim me calou, não fui cqapaz de perguntar mais nada de mais nada.

ps: obrigada por carregarem na publicidade, vamos em quase €8. Xi-coração!

terça-feira, 24 de julho de 2012

Pensamento do dia


"Deixa a janela do sorriso aberta. Coisa boa, boa coisa desperta." Assim se ouve na música bom feeling da Sara Tavares.

Devagrainho, começam a chegar as tais coisas boas.

Acerca deste texto, informo que já temos €4.66 dos cliques que aqui são dados na publicidade.

Muito, muito, muito obrigada. Mais um pedacinho e já dá para comprar um pacote de fraldas sem que alguém s etenha esforçado muito ou gasto tostão algum.

Vou repetir: quem ainda não tiver publicidade no blog, pense em colocar.

E a quem se lembrar de clicar nos anúncios, sempre que passarem por cá, nós agradecemos.

Um xi-coração

ps: o trabalho continua a correr bem. Espero que assim se mantenha

domingo, 22 de julho de 2012

De sete em sete anos


Ao nível espiritual, há quem acredite que a nossa vida é composta por ciclos de sete anos.

Tenho vindo a pensar nisso há algum (entenda-se bastante) tempo e a verdade é que acaba por bater certo.

Aos sete anos, os meus pais separaram-se.
Aos catorze, entrei para o teatro que me ajudou em tanto e tanta coisa.
Aos vinte e um conheci o pai dos meus filhos.
E os vinte e oito chegam em Novembro. Está quase.

As três coisas enumeradas, tiveram todas grandes impactos na minha vida; umas para o lado positivo, outras nem por isso.

Posto isto, dadas as circunstâncias e porque é mesmo preciso acreditar que tudo vai mudar para melhor, cá estou de braços abertos à espera que os vinte e oito anos fechem um ciclo bastante conturbado e iniciem um em que reine mais luz e coisas boas.

Uma coisa é certa: mesmo que não seja iniciada uma nova era com coisas mais tranquilas e que nos tirem a fome e o sono, à noite, cá estarei para, mais uma vez, aceitar o que a vida tem para me propor e oferecer, de modo a ultrapassar a situação. Diz que me tenho tornado perita nisso.

Mas que era bom que tudo melhorasse, era.

ps: o primeiro dia de trabalho foi fantástico!
ps II: diz que sou uma moça novita.

quinta-feira, 19 de julho de 2012

100!!!


Cheguei aos 100 seguidores! 

Que bom! Obrigada a quem tem paciência para ler as minhas coisices, postas de pescada e algumas merdices.

Gostava de, à semelhança do que acontece com tantos outros blogs por este mundo blogueiro fora, ter chegado a este patamar de seguidores ou de oferecer alguma coisa gira patrocinada por alguma marca XPTO.

Ainda não atingi essa possibilidade, dado que não tenho a notoriedade que ainda não possuímos a notoriedade que outros blogs têm. Lá chegaremos, se tudo correr bem.

Não tenho prenda para vocês, mas tenho para mim.

A prenda chegou para mim.

Amanhã, começo a trabalhar. Estou regressada à parte administrativa.

Foram quatro fases de entrevista. Optei por deixar para trás o salto alto e outras minhoquices. Afinal, valho o que valho com ou sem grandes arrumos.

Fiz questão de não esconder nenhuma das tatuagens ou piercings... Fui passando todas as fases, fazendo o que de melhor sei: ser igual a mim mesma, sem ser necessário ir buscar a "personagem" administrativa.

Na entrevista individual, optei por não andar com grandes rodeios, expus aberta e claramente a situação económica e familiar onde estou...

Falo tanto como escrevo, ou seja, muito. A entrevista, deu pano para mangas, de tal forma que acabámos a conversar sobre imensas coisas relacionadas com filhos e sociedade...

Consegui...! Sem cunhas, sem máscaras, sem ocultar nada, sem inventar nada...

Consegui sendo eu mesma. E isso é maravilhoso.

Amanhã, lá começa uma nova rotina... Que seja presságio de uma vida mais tranquila e com mais coisas boas do que menos boas.

Venha de lá a luz ao fundo do túnel.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Férias



Engraçado como ao longo da nossa vida, a noção da palavra férias ou o significado que lhe atribuímos vai mudando, de acordo com o momento em que estamos.

Quando eu era miúda, férias, era só uma palavra que existia. Assim como há outras tantas.

A minha família nunca fez as típicas férias de agarrar nas tralhas e ir passar dias a X sítio. Fizemos isso uma vez. Uma vez!

Quando entrei para a escola, as férias passaram a ser aqueles dias em que não havia aulas. Como consequência, não havia escorrega, ficar com as calças rasgadas por andar a trepar à oliveira que havia na escola primária...

Ao passar para a preparatória, para além de não haver aulas, passavam a haver, ainda que a medo, os passeios com os colegas de escola e na secundária, esta parte acentuou-se. Fartava-me de sair, passear, ir ao cinema, ver o Tejo...

Pouco tempo depois de entrar em Jornalismo, comecei a trabalhar e mais uma vez, as férias sofreram alterações.

Passavam a ser os dias em que não trabalhava ou não estudava, nunca ambos em simultâneo.

O que foi sempre presente foi a inexistência de ir passar dias sabe-lá-Deus-onde.

Parei o curso, comecei a trabalhar em full time e durante dois anos, não tive férias. Não as marquei sequer.

Conheci o pai dos meus filhos e as férias, aquela coisa de ir passar dias fora, passou a ser feita aos fins de semana em que conseguiamos ter folga em conjunto.

Mas o cenário de ilhas paradisíacas, nunca fez parte do meu imaginário de férias. Talvez por não ter sido educada com férias assim.

Depois de comprar casa, as férias, passaram a ser apenas e só os dias em que não se trabalhavam no posto de trabalho. Mas confesso que não sou muito amante de férias ou de não fazer nada.

Hoje, dou por mim a pensar que se tivesse direito a férias, seria bom sinal. Estaria empregada.

Por outro lado, desde que iniciei a minha vida laboral que tenho para mim que férias é sinónimo de descanso. Há quase três anos que não descanso, mesmo quando chegou o desemprego e se foi o direito às férias.

Como e qual será a importância ou significado que no ano que vem, terão as férias, por aqui?

terça-feira, 17 de julho de 2012

Publicidade no blog


Hoje em dia, dadas as condições financeiras que se vivem, as pessoas tendem a procurar novas formas de ganhar alguns tostões.

Por aqui, não somos excepção. Andamos na lufa-lufa do procura-trabalho-envia-CVs-estica-daqui-mas-destapa-dali e há tempos, descobri que se podia adicionar publicidade ao blog.

Adicionei.

Não sei se está a ser rentável ou não, porque não percebo muito da coisa, mas num mês ganhamos €0.57. Isto vezes os doze meses anuais é capaz de dar qualquer coisita.

Assim e porque não tenho mesmo por onde me esticar mais, caso possam, quando entrarem no blog para ler as coisices que para aqui vão, se se lembrarem, cliquem num dos quadradinhos da publicidade.

Ajudam-nos e não vos custa nada de nada, mas mesmo nada.

Para quem ainda não tem publicidade no blog, pensem em colocar.

Como diz um amigo meu, "mal não faz, portanto, tudo bem."

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Ele há coisas...


Há pouco tempo, escrevi sobre a parte boa que a internet me tem trazido.

Mas também há a parte menos agradável. Aquela em que somos tidos como amigos de conviniência, principalmente quando é para pedir dinheiro.

Tenho descoberto pessoas fantásticas que me acompanham aqui no blog e noutros locais da internet, outros mesmo cá em casa. E tenho levado com algumas surpresas menos agradáveis.

Pessoas más, mal agradecidas, com um feitio (aparente) que não as leva a lado algum.

Algumas dessas pessoas, ajudei, na medida em que pude... .

E ponho-me a pensar... É uma pena, ou um monte de penas, que as pessoas assim sejam.

É-me inconcebível receber qualquer tipo de ajuda e não agradecer a mesma. Quem ajuda não tem qualquer obrigação para connosco, mas nós devemos gratidão e agradecimento a quem disponibiliza o seu tempo, espaço e preocupação connosco.

É ainda pior quando refugiam e mascaram uma má índole que acaba por ser revelada, usando aquilo a que uns apelidam de mau feitio e outros de mania-dos-coitadinhos...

Questiono-me, se estas pessoas serão assim, sem ser através dos blogs e coisas que tais...

Só desejo que consigam dormir bem e que um dia o karma lhes bata à porta. Acaba sempre por bater.

sábado, 14 de julho de 2012

O poder mágico que as mães carregam


Em tempos idos, o gordipampas-mor magoou-se num dedo. Estava bastante choroso e o pai disse "o pai dá beijinho e passa".

Ficamo-nos por ali.

Cada vez que faz dódói vem ter connosco a dizer "há beijinho".

Ontem, no meio dos carrinhos dele, encontrou um que já só tinha duas rodas.

Muito triste, olha para o carrinho e diz "oh, tagou-se" (estragou-se)

Mãe: Pois é filho, estragou-se. E agora?

Ele, olha pensativo para o carrinho.

Gordipampas: Mãe, há dódói. Beijinho.

Assim é o meu filho mais velho... Acredita nos poderes mágicos e curativos da sua mãe.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Os raios do sol



Fui confrontada com a dura realidade das gravidezes e perdas de bebés quando engravidei pela primeira vez.

Era-me completamente desconhecida a quantidade de bebés que nunca o chegam a ser. A viagem fica-lhes pelo caminho.

As mães, essas hão-de ser sempre mães, porque a viagem delas não termina. Nunca termina.

Vejo, agora e diariamente, pessoas entristecidas pela perda de algo a que muitos chamam "coisas", por não serem ainda "nada".

Mas esse "nada" rapidamente se transforma num "tudo" para quem o carrega acoplado a si. Pelo tempo que for. É um nada a quem prontamente se começa a chamar de filho. Para quem se faz planos, se imagina vezes sem fim como será carregar nos braços e não no ventre... Imaginamos sem fim nem tecto como será ver o primeiro raio de sol em conjunto com aquele que é nosso filho...

É uma vida. É tudo.

Quando se descobriu que a minha gravidez era gemelar, disseram-me que o embrião mais pequeno, por ser tão pequeno, certamente não ia evoluir. Cheguei a escutar uma médica a chamar-me de estúpida por acreditar que sim, que iam ambos continuar a crescer.

Andei com o coração a palpitar mais do que o usual até ter a (quase) certeza que sim, que ambos estavam bem e iriam continuar comigo.

Ao mesmo tempo que soube que estava grávida de gémeos, soube que um dificilmente evoluiria. Se a primeira notícia foi um choque, a segunda ainda foi maior.

Ninguém se prepara ou espera ouvir uma coisa assim.

Parece quase contra-natura. Uma vida que está acabada de ser iniciada no ventre de sua mãe, parar aquela viagem... Muitos dizem que não faz sentido e no nosso âmago é isso mesmo que sentimos. Não faz sentido.

Mas as mães têm sempre razão e a mãe Natureza é soberana. A ela fará sentido. Nós, filhos, apenas podemos colocar em causa a autoridade desta mãe.

Poucas vezes se escutam informações sobre estas mães cujos filhos não chegam ao final da viagem. Cujos filhos não chegam a ver o primeiro rasgo de sol ao colo das mães.

Quantas vezes quis e quero abraçar as mães destes filhos... Para lhes dizer que o raio de sol, aquele que os filhos não puderam ver por eles mesmos é o laço que os irá unir para sempre.

E quantos raios de sol há quando abrimos a janela?

Raios de sol...

quarta-feira, 11 de julho de 2012

"Coitadinhos."


Faz tempo que sair à rua é sinónimo de ter um sinal luminoso a piscar dizendo "olhem para nós".

Quando estava grávida era porque tinha um bebé pequenino e estava  grávida outra vez. A barriga não era grande, era enorme. Tão grande que carinhosamente lhe chamava de rotunda.

Desde que os cerejas nasceram, parece que o sinal para além de ser luminoso é fluorescente...

Toda a santa gente olha para nós... O que se torna tremendamente incomodativo.

Tento ser compreensiva por saber que poucos casais da nossa idade - ou mesmo nenhuns - tem três filhos com idades tão próximas.

Há pessoas que se aproximam de nós, um pouco a medo, para fazer perguntas. Há quem nos vá só desejar felicidades e perguntar os nomes dos ficha tripla.

Desde que fomos à televisão piorou. Falam para os meus filhos como se os conhecessem desde sempre... :S

As pessoas com as quais mais paciência tenho e fico a conversar o tempo que for preciso são as que têm já alguma idade. O impacto que pode ter o facto de estar com bebés (meus ou outros) e ver a simpatia deles pode dar-lhes algum alento. Pode não, dá mesmo. No final, ainda nos agradecem o tempo em que estiveram connosco.

Mas também há o outro lado.

Pessoas inconvenientes, que nos chamam de coitadinhos, fazem aquela pergunta estúpida "São gémeos?" - não, são não. engravidei de um e o outro é prenda de bom comportamento - pessoas que lhes mexem sem autorização ou lhes tiram a chucha só porque sim...

Eu percebo. A sério que percebo algumas coisas e até fico feliz.

Mas outras há que começam a encher. 

"Ai coitadinhos."
"O que é que vos passou pela cabeça?"
"Então, não tinham mais nada para fazer?"
"Já aprenderam a lição ou ainda vão ter mais filhos?"

Parece que pedimos alguma coisa a estas gentes, quando a única coisa que fazemos é o mesmo que elas: andar na rua ou no supermercado.

Tenho pensado nisto e até à dias, estava convicta que seria eu que deveria compreender as pessoas. Mas a verdade é que não estava certa. São eles que devem entender que eu e os meus temos o nosso espaço que deve ser respeitado. São eles que têm que passar a ser bafejados por aquela coisa que se chama de boa educação.

Não tive os meus filhos todos para que fossem semelhantes a um mostruário quando saímos à rua.

E coitadinha...? Tenho imensos defeitos e qualidades, mas "coitadinha", não é, de todo algo que se adeque à minha pessoa nem aos meus filhos.

Que nérbios!!!


terça-feira, 10 de julho de 2012

"Agora, já estás despachada!"


Se há coisa que me incomoda são expressões que não lembram nem ao menino Jesus.

É muito comum eu ouvir "ai, agora, já estás despachada." E não, não é por ir a uma loja comprar alguma coisa. É por ter três filhos.

Quando tinha só o Henrique - verdade seja dita que foi filho único apenas durante quatro meses - era comum perguntarem-me quando era o próximo e tinha que ser uma menina precisamente para ficar "despachada".

Quando estava perto dos partos, muitas vezes escutei "nunca mais estás despachada".

Anda tudo muito à volta do despachar.

A gravidez não é a despachar, são nove meses.

Parir não é a despachar. Educar muito menos é a despachar.

Não tive três filhos para ficar "despachada"...

Tive-os para ser mãe deles. Tão simples quanto isto, mas insistem porque insistem que é bom... Fico "despachada".

Não gosto, mesmo, da expressão... De todo.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Trabalho, procura-se e com jeitinho ainda se dá recompensa

Esta busca da trabalho, está a dar comigo a perder a sanidade mental...

Quando engravidei do Henrique, as funções que exercia, foram transferidas para o Porto, assim como toda a actividade situada onde eu estava.

Como entrei de baixa de risco, acabei por não regressar àquele sítio. Consegui, encontrar trabalho perto do final da licença de maternidade.

Tive formação e no dia em que assinei o contrato, soube que estava grávida, outra vez. E mais uma vez, a história repetia-se. Vim para casa com baixa de alto risco, logo no início da gravidez.

Decidimos que um de nós deveria ter dois trabalhos, para fazer face à despesa que aumentou exponencialmente com três filhos.

Fui aceite noutro sítio. Desta feita, ligada a uma das minhas áreas de formação. Animação infantil e teatro. A intenção inicial seria manter-me como administrativa de segunda a sexta e na parte da animação aos fins de semana.

Acontece que da parte administrativa não fui informada quanto ao meu dia de regresso ao trabalho - fiquei de férias depois de terminada a licença. E com isto, fiquei a trabalhar a tempo inteiro com as crianças.

Foram quatro meses. Trabalhei quatro meses!!

Chegado o Natal, acaba o meu contrato. Não renovaram, segundo o director artístico do sítio, por causa da crise. Mas o curioso é que mesmo com a crise, colocam pessoas nos locais de trabalho, sendo que um deles havia sido ocupado por mim. É! Chegou-lhes a crise! De valores e coisas que tais.

Desde então que todos os dias envio CVs. E as respostas ou a falta delas chega a dilacerante...

Chegada às entrevistas, quando as há, ou tenho qualificações a mais, ou filhos a mais, ou qualquer coisa a mais...

Eu quero e preciso de trabalhar, com ou sem qualificações a mais, com ou sem filhos a mais...

Estou em casa há demasiado tempo. Tanto assim é que para mim, as férias foram os quatro meses em que trabalhei...

Quero tanto, mas tanto trabalhar...

sexta-feira, 22 de junho de 2012

"Estraga-los com mimos"

Muitas vezes se escuta dos mais velhos algumas coisas como "estraga-los com mimos" ou "tens que começar a dar-lhes palmadas".

Não concordo com nenhuma das frases.

Não conheço, até hoje, quem fique estragado com mimos. Já o contrário, acontece com frequência. Sou aliás, um desses exemplos. A falta de mimo, carinho e afecto tem dimensões esmagadoras no nosso percurso. Chegada a adolescência, tudo treme e muitas vezes acaba por colapsar. Cresci e fui educada sem muitos mimos daqueles que não se compram. Não me recordo sequer de escutar um simples "gosto de ti" durante a minha infância.
Talvez por isso, não queira que o mesmo aconteça com os meus filhos.

Mimo-os até mais não. Confesso que estou em crer que há alturas em que eles se pudessem, davam-me uma marretada por se fartarem dos beijinhos, abracinhos e outras coisas que tais fofinhas acabadas em "inhas".

Ainda assim se a máxima "estragar com mimos" for - efectivamente - verdadeira, eu prefiro que o estrago seja feito com ternura e afecto do que sem ela.

A mesma opinião é partilhada pelo pai deles. Provavelmente pelas mesmas razões que eu.

E as palmadas... As palmadas não ensinam nada de bom, a meu ver. Pelo contrário.

Dá-lhes legitimidade de responder da mesma forma e quem encarar isso como falta de respeito, deveria rever os canones do respeito. O primeiro passo desrespeitoso foi do pai ou da mãe, na medida em que é este que dá a palmada.

Não ensina nada. Não torna as pessoas melhoras. Não é assim que se cultiva a disciplina. E muito menos o respeito, cria-se medo. Não quero que os meus filhos tenham medo de mim, não há razões para isso.

Muitas vezes me descabelo, outras tantas me apetece mandar um grito daqueles que nos são pedidos nos ensaios de teatro para que o espectador na fila mais distante do palco oiça, mas palmadas... Não obrigada.

Do mesmo modo que os bebés e crianças precisam de nos compreender, o inverso se aplica.

Não conheço nada que seja explicável através da violência. E sim, uma palmada é violento. Se não falamos com adultos, dando-lhes as ditas palmadas, porque faremos com crianças que não conseguem ainda compreender o que lhes é dito?

Não percebo nem tão pouco é do meu interesse perceber os apologistas da palmada. Não é para mim. Definitivamente... Nem para os meus filhos.

E se por não aplicar estes dois clichés em que tanto sou criticada e algumas vezes apelidada de má mãe por isso, adivinhem lá... Gosto muito de ser esta má mãe. E os meus filhos adoram a mãe que têm, que os enche de mimos até começarem a reclamar e que em vez de palmadas lhes dá ataques de cócegas.

Vivam os afectos e que os mesmos sejam perpetuamente fomentados. Com ou sem filhos, para toda a gente.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

O dia em que o Sol reina mais do que a Lua

Mais um marco na roda do ano.

Chegámos ao Verão. Solstício. Litha.

Assim chega também o calor abrasador, a altura em que não sabemos muito bem o que vestir porque parece que só nos apetece andar sem roupa alguma. E não há forma de acabar com essa sensação a não ser quando o tempo começa a arrefecer.

Não gosto do Verão, nem do calor abrasador, nem de nada que o Verão carrega consigo.

Não ponho os pés, nem outra parte corporal, numa praia durante o dia/calor/verão há anos. Uns 12, sem qualquer exagero.

Gosto muito do meu tom lula em vez de ser lagosta ou outra bichesa marinha.

Por outro lado, juntei-me com uma pessoa que adora o calor, sol, praia e de fazer a sua foto-síntese de vez enquando.

É... Eu e o Verão não somos amigos. Mas hoje, para além do Verão, celebra-se Litha e a fertilidade do que se colhe da Terra. Noite de acender fogueiras em honra do Sol, agradecendo-lhe o que só acontece hoje - o dia mais longo do ano e a noite mais curta.

Noite vermelha. Velas e flores vermelhas em honra do fogo.

Há tanto tempo que não abro o circulo para as minhas celebrações... Tanto tempo.

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Rainha


Na hora da sesta, ele vira-se para a filha e diz:
"Vou dormir agarradinho à minha princesa."

A mãe, aproveitou a deixa e perguntou:
"Não devia ser eu a tua princesa?"

Pai responde à mãe:
"Não! Tu és a minha rainha."

terça-feira, 19 de junho de 2012

Casar-me

Desde que me conheço que a única pessoa com quem me queria casar era o meu pai. Valha-me o bom gosto.

Nem sequer me imaginava vestida de noiva ou de princesa, como acontece com muitas meninas. Não gosto de saltos altos, brilhos, penteados... Gosto é de andar de sandálias de couro, o cabelo o mais despenteado possível e com roupa em que me sinta bem e consiga respirar dentro dela. Só me visto "melhor" para ir a entrevistas de trabalho.

Casar com outra pessoa com que eu formasse um casal nunca fez parte dos meus planos. Vários motivos há.

Sou filha de pais separados, o exemplo de casamento-modelo, passou-nos ao lado. Dizia que não me queria casar para não ter que me divorciar.

Com o passar do tempo fui descobrindo mais e mais e mais e mais razões para não me casar, sempre somando à primeira.

Paga-se o casamento, mesmo que seja só fazer o registo do mesmo.

Se existir festa e convidados, encarece ainda mais. Bem mais!

Ele é vestidos, ele é fatos, ele é roupa para para a menina das alianças, ele é a própria da aliança para cada um dos noivos, ele é a comida para todos os convidados - mesmo que sejam só a família, fica um balúrdio que a minha família é grande. O próprio dinheiro é caro.

Passei por uma situação de roptura total na minha relação e isso ainda fez com que esta minha convicção se mantivesse.

Acontece que tenho visto as coisas de outra forma.

Não é porque o casamento dos meus pais falhou o meu também terá que ir pelo mesmo caminho.

Tenho tantas pessoas a engrandecer-me pelo que faço, pelo que digo, pela força, por tudo o que vão enumerando e pelo caminho dei um trambolhão tão grande que me esqueci de mim.

Fiz K.O. a mim mesma e anulei-me. Aconteceram tantas coisas tão repentinas em simultâneo. Como seria possível que eu piscasse os olhos, quanto mais lembrar-me de mim?

Com a relação terminada, lembrei-me que afinal existo. Eu, Sofia, mantenho-me aqui, mesmo depois das vicissitudes pelas que passei. É bom saber disso.

Pouco tempo depois da reconquista de mim mesma, apareceu ele. De braços e peito abertos para me ter de volta.

Veio de mansinho, porque afinal de contas, ele queria voltar, mas nada lhe dizia que era correspondido.

Aos poucos, fomo-nos reconstruindo. E estamos bem. Agora estamos.

Aparece assim, ao tempo, esta vontade estúpida e quase exacerbada de me querer casar com ele.

Para, afinal, ter um vestido em que não consiga respirar convenientemente. Para ter uma festa em minha honra, daquilo que fui semeando e agora colho. Para reunir aqueles que estiveram comigo nas alturas mais difíceis, mostrar-lhes que estou e estamos bem, agradecendo o apoio que me deram. Para viver aquele dia que nunca quis - o do casamento.

É! Quero casar-me. Ele não.

Estranhas as voltas que a vida dá.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Desafio (ao contrário)





Há dias, escrevi sobre as amizades virtuais, aqui, e hoje, recebi um desafio ao contrário. Em vez de ser eu a escrever sobre mim, como aconteceu nos anteriores, são vocês a opinarem sobre mim.
O desafio/miminho foi dado pela minha amora Tinita.

Regras:

Quem recebe o selo, basta colar este texto no blog e aguardar pelas respostas.

Para quem visita os blogs, basta deixar a sua opinião.



NO VOSSO BLOG:

- Colocar o selinho do desafio no blog e dizer quem ofereceu o selo;

- Passar o desafio a pessoas que consideres como amizade virtual;

- Copiar estas 3 questões e esperar que os vossos seguidores dêem as suas opiniões:


1) Como imaginas o/a dono/a dona do blog em termos físicos (cabelo, olhos, altura, peso, etc);

2) Como imaginas os traços principais do feitio do/a dono/a dona do blog (calmo, mandão, mal humorado, mentiroso, amigo, etc)

3) Como imaginas ser a vida real do/a dono/a dona (dona de casa, pai ou mãe, executivo, agricultor, boémio, etc).

NO BLOG DE QUEM VOS PASSOU O DESAFIO:

- Responder às perguntas num comentário.

1) Como imaginas o/a dono/a dona do blog em termos físicos (cabelo, olhos, altura, peso, etc);

2) Como imaginas os traços principais do feitio do/a dono/a dona do blog (calmo, mandão, mal humorado, mentiroso, amigo, etc)
3) Como imaginas ser a vida real do/a dono/a dona (dona de casa, pai ou mãe, executivo, agricultor, boémio, etc).

E passo a...
Ysa
Texuga
Gardfieldzita
Tzero
Caah

Vamos lá ver o que sai daqui...

sábado, 16 de junho de 2012

Segundo desafio proposto

Mais um desafio! Desta vez, proposto pela Caah.

Bamolá, outrta vez.

7 coisas sobre mim :

ღ sou sagitário com ascendente em caranguejo e lua em aquário;
ღ tenho três filhos e todos são piscianos;
ღ sei ler as cartas do tarot;
ღ gostava de escrever a letra para uma música;
ღ se fosse exequível, abria um restaurante, amo cozinhar e comer também;
ღ tenho como uma das minhas metas a atingir, editar um livro;
ღ quando crescer, quero ser jornalista de imprensa.

Desafio os blogues seguintes:  Sandra | Tinita | Ysa | Texuga | Teresa
Xi-coração a todas!

E assim, recebi mais um selinho!

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Pensamento do dia I

"Para criar inimigos não é necessário declarar guerra. Basta dizer o que pensa" Martin Luther King

E não é que é verdade? Tão verdade... E eu sou perita em dizer o que penso, doa a quem doer...

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Verdade verdadeira II


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Futebolices

Não gosto de futebol nem um pedacinho...
Mas ainda bem que o mesmo, às vezes, faz as pessoas lembrarem-se que somos "heróis do mar, nobre povo, nação valente e imortal."
Caso Portugal ganhe algum jogo, veremos num sem fim de sítios, portugueses a encherem-se de orgulho por terem este país como pátria...
Pena é que não o façam por outras razões e/ou causas.
Muita pena, mesmo.

terça-feira, 12 de junho de 2012

O nosso dia encantado, na TV

Tenho recebido, através do formspring, algumas questões associadas à nossa recente ida à televisão. Como correu, como não correu, o que aconteceu e outros blablas mais do que comuns, aliados a outros clichés.

Uma vez que o vídeo está visível, publicamente, creio que me parece sensato que partilhe o mesmo por aqui. Deixa de ser necessário perguntar pelo mesmo através do formspring.

Desta forma, cá estamos nós.

O vídeo é extenso, são perto de 30 minutos.

Curioso como a história que nós trazemos connosco pode dar tanto alento a outras pessoas que passem por situações semelhantes.

E que bom que é saber que o meu gordipampas-mor, conseguiu dar alegria a tantas, mas tantas pessoas, só com um bater de palmas repetido...

Assim como é fantástico perceber que a história de vida da minha flôr pequenina emocionou as pessoas e a calma do gordipampas-pequeno enterneceu quem o viu.

Cá vos deixo um pedacinho de nós.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Diciiiioso



No sábado, saíu-me este o bolo para nosso lanche acompanhado com chá para os crescidos e leite para os pequeninos.

A cada fatia, ouvia "mãe, diiiicioso".
Os olhos também comem.

domingo, 10 de junho de 2012

10 de Junho

Moro num país apelidado de várias coisas, sendo uma delas a ponta da Europa, à beira-mar plantado.

Hoje, celebra-se, entre outras coisas, o dia em que se comemora este país de seu nome Portugal.

Estamos numa fase económica desgraçada. Temos um primeiro ministro que quase louva o desemprego e que pouco ou nada faz para o combater. Em tempos idos, deixei a sugestão, em jeito de desabafo para que ele próprio se demitisse. Afinal, o exemplo vem de cima. Podia ser que se dedicasse à agricultura, como foi a sua última sugestão.

Mas estou em crer que o problema deste país passa por mais coisas do que os politiquismos. Está nas próprias pessoas.

Faltam-nos gentes com eles no sítio e que atirem dois gritos quando é preciso.

Faltam-nos pessoas que respondam que estão bem ou que estão mal em vez dos típicos "vai-se andando" ou dos "já estive melhor".

Ora bolas, esta mania dos desgraçadinhos que está associada a este povo a que pertenço já devia ter terminado.

Faz tempo que os três Fs deviam ter deixado de imperar, mas infelizmente mantém-se tão acesos que dói. O F de futebol, toma uma dimensão estrondosa quando comparado com outra coisa qualquer.

Não é este desporto que faz um país. São todas as pessoas que a ele pertencem e nele colaboram activamente como membros da sociedade. E isto trás tantas mais coisas do que o futebol...

Há quem diga que faz falta uma nova revolução e faça votos nesse sentido. Revolução política.

Pois faz, faz tanta falta uma revolução. Mas não política. Faz falta na auto-estima, no ser-se optimista e não desgraçadinho com a certeza de que o melhor é lá fora, seja lá onde for...

O F que por aqui reina, é o da família...

Curioso é que parcas são as pessoas que se recordam que este país-onde-o-desgracidinhismo-impera foi já um supremacia e foi empreendedor como nenhum país foi, na época dos descobrimentos. Deviam ter-nos ficado lições (grandes) dessa altura, mas parece que se esfumaram no ar.

"Ai, Portugal, Portugal
De que é que tu estás à espera?
Tens um pé numa galera
E outro no fundo do mar
Ai, Portugal, Portugal
Enquanto ficares à espera
Ninguém te pode ajudar." Jorge Palma

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Isto da internet...

Muito se fala sobre os perigos da internet.

E pouco, muito pouco, alguém menciona as coisas boas.

Desde que fiquei em casa, há quase três anos, que se não fosse esta coisa da internet e da possibilidade de falar com outras pessoas que partilham algo em comum connosco, tinha dado em (mais) maluca.

Passei dias e dias e dias e noites (que grandes noites) a falar com quem nunca tinha visto.Com quem se calhar nunca hei-de ver.

Passei tempos preciosos da minha vida a acalentar, pessoas em desespero, que não precisavam de mais nada senão de alguém que lhes dissesse no final do dia algo como "vai correr tudo bem", mesmo que tendo um véu tão grande como um computador e uma distância tremenda.

E da mesma forma fui retribuída. Quantas e quantas vezes fui também acalentada, mimada, até mesmo apaparicada? Tantas, mas tantas. Eu e os meus filhos.

Esta forma de nos partilharmos, acaba por originar algo que para muitos cepticos parece ser mentira. Amizade. A verdade é que é isso mesmo que se cria.

Amizade pura e verdadeira.

Com pessoas maravilhosas com que se pode falar sobre tudo e sobre nada. Que se preocupam tanto connosco como se fossemos da família, que estão sempre "lá" e o sentimento em conjunto com a disponibilidade é igual de parte a parte.

Tenho tantas pessoas assim a quem eu quero bem e que me querem bem.

Têm sido, cada uma à sua maneira, a minha companhia nestes últimos três anos. Fazem-em surpresas inesperadas e nunca sei bem nem ao certo como lhes retribuir tamanha estima, se não dando a minha consideração e gosto de retorno.

É-me dito várias vezes, que me tomam como exemplo, como pessoa a seguir, como isto, como aquilo... A verdade é que (como sempre digo) não sou nada dessas coisas, mas se por algum motivo é possível equacionar tamanhas coisas, muito se deve a esse apoio, àquele que sempre recebi quando não havia mais ninguém por perto. Quantos e quantos instantes precisei de alguém e não havia, aqui, ninguém? Não havia presencialmente nem fisicamente, porque este véu que é o computador, facil e rapidamente vai começando a ficar mais ténue, acabando por quebrar um dia.

Claro está que também há pessoas que acabam por se aproximar só porque sim, maioritariamente, desde a última ida à televisão.

Mas ainda assim, deixem-me acreditar neste mundo que pinto de cor-de-rosa por receber tanto, mas tanto que não sei mesmo como retribuir...

O extra-ordinário é que destas minhas pessoas, muitas há que me conhecem mais e melhor do que aqueles que dizem conhecer-me desde sempre ou que estão a uma distância física ou rodoviária de 30 minutos, se tanto.

Ainda mais maravilhoso, dão-me algo que as tais que me conhecem e blablabla, amizade... Tanta amizade, sincera.

Não me canso, nem hei-de cansar de dizer a todos - cépticos incluídos - que apesar de apelidarem estas coisas de virtuais, as mesmas são muito, mas muito mais verdadeiras do que as que tomam como reais.

Não importa se falaremos para sempre, se continuaremos a ter esta magia connosco todos os dias. Importa-me o importante: estiveram comigo nos instantes em que os outros, aqueles da distância de 30 minutos não estiveram. Esses devem ter-se esquecido do caminho que há para chegar até mim. Ainda bem! Foi a forma de o manter desocupado para que outras pessoas o pudessem encontrar e escolher a possibilidade de se manterem por cá ou partirem na busca de outro.

Sinto e sei, pelo que me dizem todos os dias, que hoje, o caminho até mim ou o meu caminho está mais farto de maravilhas do que há mais de três anos.

Sinto-o todos os dias!

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Verdade verdadeira I


terça-feira, 5 de junho de 2012

Eu gosto de mim e tu?





Sempre fui gorda. Mentira, quase sempre fui gorda. Já fui gorda e grávida. Duas vezes. E das duas vezes, ganhei estrias, mais celulite; a barriga chegou mesmo a descair com a gravidez dos gémeos e assim se mantém. Descaída, tal como o peito.

Diz que a lei da gravidade é muito forte.

Mas mesmo assim, eu gosto de mim.

Sinto-me confortável em mim e comigo. Aceito com calma todas as alterações que o meu corpo foi sofrendo, em vez de as rejeitar ou recriminar. Afinal, são fruto de algo tão mágico como a gravidez. Foi por ter carregado os meus filhotes em mim que fiquei assim. Dei-lhes a vida, em conjunto com o pai, e eles deram-me estes presentes. Para que sempre que eu me olhe ao espelho não chore, mas relembre cada coisa passada nas gravidezes. E nenhuma das duas foi fácil.

Ainda assim, eu gosto de mim. Porque sou muito, mas muito mais que uma barriga cheia de estrias e o corpo a caminhar para uma laranjeira com tanta celulite.

Sou tudo aquilo que tenho dentro de mim e isso engloba os meus filhos. São intrinsecamente meus e do seu pai.

Por isso, vou mimar-me todos os dias, como mimo aqueles de quem gosto. Recordar-me todos os dias que mesmo que queiramos chorar (e algumas de vós, sabem que isto por aqui não tem andado nada fácil, mas sim a roçar a bipolaridade no que toca a estabilidade), há sempre algum motivo que nos faça sorrir.

Vou arranjar-me todos os dias como se o meu dia fosse uma festa! Vou dançar, cantar, namorar...

Vou v-i-v-e-r!

É isto que nos faz falta! É isto que nos dá a própria vida! Viver! Ah, como é bom viver e abrir os braços às coisas boas, mesmo quando só parecem coisas más.

Não há nenhuma luz no fundo do túnel, como nos têm ensinado. A luz está dentro de nós cabe a nós acendê-la.

E tu, gostas de ti? Sorris para ti? Não? Então, toca a mimar-te e ver a pessoa maravilhosa que és, sempre! Se assim o eras antes de engravidar, assim, te hás-me manter depois das marcas que a gravidez deixa.

Somos fantásticas, mesmo quando nos dizem que não e quando não nos sentimos como tal.

Tudo flui melhor quando gostamos de nós.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

"As mulheres são todas iguais."



Há dias, um amigo meu, disse-me aquele cliché maravilhoso-que-serve-para-justificar-tudo-porque-dá-jeito: "as mulheres são todas iguais.". Curioso é que se for uma mulher a tecer algum comentário semelhante, sair-lhe-ia, possivelmente um "os homens são todos iguais."

Confesso que nunca fui grande apreciadora de clichés ou de lugares comuns, por me fazerem alguma espécie. Muitos deles estão longe de ter algum tipo de fundamento.
Enfiar tudo do mesmo género sexual dentro do mesmo saco, não me parece mesmo nada bom.
Tenho estado a pensar nisto, enquanto trato das arrumações.

Não, não somos todos iguais. Não no sentido depreciativo que é aplicado a este cliché.
Eu não sou igual a ninguém e tu também não. Quanto muito, somos parecidas. O mesmo se passa com o sexo masculino.

Somos parecidos uns com os outros por causa das vivências e experiências semelhantes que vamos tendo, mas a aprendizagem que é obtida e o que é feito com a mesma, é da responsabilidade de cada um de nós, como indivíduos.

Antes de sermos mulheres ou homens encafuados-naquele-cliché-do-somos-todos-iguais, somos seres individuais. Por isso, não, não somos todos iguais.
O facto de reagirmos de forma semelhante em determinadas circunstâncias, não faz de nós, automaticamente, iguais uns aos outros.

Creio que este lugar-comum serve tão só para encontrar uma justificação que acaba por não justificar rigorosamente nada.
Daqui, aparece outra questão que parece uma pescadinha de rabo na boca, aquela da guerra dos sexos.

As mulheres são assim, os homens são assados. As mulheres são sensíveis, os homens uns calhaus.
Quando algum dos homens ou mulheres sai fora daquilo que está encafuado no lugar-comum, é considerado/a um/a ovelha ranhosa...

Ele há coisas...!

Não seria melhor se aceitássemos as pessoas como elas são, sem ter que lhes colocar um rótulo ou dois ou três?

Lugares-comuns, clichés e senso comum fazem-me mesmo muita urticária...

Antes de sermos mulheres ou homens, somos pessoas que podem partilhar experiências, vivências, sensações em comum, mas no fundo, somos todos diferentes uns dos outros... É uma das coisas que nos torna especiais aos olhos e corações daqueles que convivem connosco.

domingo, 3 de junho de 2012

De pequenino é que se torce o pepino e o meu nariz também


Não estamos preparados para ver os nossos filhos a crescerem de forma desmedida. Nem para a primeira fase de afirmação do "já-sou-crescido-e-não-sou-mais-um-bebé".

Estou em crer que isso se instalou. Eu é que, como mãe a atirar para o estupidinha, de vez enquando, não quis perceber bem a coisa. Mas a verdade é que sim. Ele está crescido e daqui para a frente ninguém o pára. Nem eu...

Faz tempo que quer ser ele a lavar a cabeça durante o banho e apanhou a mania de colocar creme na cara e nos braços, terminando com um vigoroso "cheira tão bem".

De há algumas semanas para cá não come papa. Ao início julguei tratar-se duma questão de gosto e por isso comprámos de outros sabores e marcas. Depois senti que era uma mariquice ou uma comichice qualquer. Hoje e só hoje percebi que se trata da chegada da fase de afirmação. "Não-como-mais-papa-porque-não-sou-mais-bebé-blhercka!"

Tenta vestir-se e calçar-se sozinho...

Ontem, presenteou-me com uma música "Manhééééé (vulgo mãe), anda comigoziões".

Será que é uma maneira subtil dele me dizer, com a música, que já está preparado para namorar?

Isto de os ver a crescer é tão bom como assustador...

Um dia destes, juntam-se os três em jeito de conspiração e lá vêm eles com o "dá-me dinheiro para ir sair com os amigos". Quer dizer... No caso deles, basta que saiam os três juntos para ser quase uma manifestação.

Definitivamente, não estou pronta para este crescimento avassalador... Onde está o meu bebé mais crescido?

Socorro, alguém lhe diz que ele só tem 2 anos?

sábado, 2 de junho de 2012

(des)Arrumações

Ele há coisas que me mexem aqui com o sistema nervoso central...

Arrumar!!! Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah!!!

Se me aparecesse, por artes mágicas, uma fada madrinha, um dos desejos que lhe pediria era para me dar condão de ser arrumadita.

Tenho andado a pensar em formas que conseguir sê-lo mais.

Então, lembrei-me de encontrar um esquema manhoso de compensações. Qualquer coisa semelhante ao seguinte: arrumo a loiça, tenho direito a laurear a pevide sozinha. Arrumo a roupa, tenho direito a comprar uma pindériquice qualquer - ah, não, este não se aplica; não temos um tusto.

Bom, mas a ideia é essa. Seguir esta linha de raciocínio/compensações e "fazedura" das coisas.

Quando era miúda pequenina (pequenina? não me lembro de ter sido pequenina, sempre fui enorme; com 9 anos, já media 1,50 m) funcionava. Será que depois de crescida e coisital, também vai funcionar?

Avervamosnoquevaisairdaqui!

Roupa para dobrar e arrumar; loiça para lavar e arrumar; chão para varrer e lavar; quartos para limpar; roupa do hóme para guardar... E devem faltar mais milhentas coisas que nem me lembro. Fiquei logo com falta de ar e dor nas cruzes só de pensar no que vem aí...

Jasuse!!!

Alguém me diz onde é que eu estava com a cabeça quando me quis juntar...?

Ele há coisas...

E quem diz a verdade não merece castigo.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A mania de escrever

Faz tempo que tenho o blog, perto de três anos.

 Foi criado durante a gravidez do Henrique, em seguimento de muitas sugestões para tal. Nunca antes, havia criado um blog nem tão pouco fazia ideia de como funcionavam estas coisas. Mas passei tanto tempo em casa, sozinha, que alguma coisa havia de ser feita.

Não sabendo muito bem como funcionam estas coisas, decidi só fazer uma compilação com os textos que fui escrevendo, aqueles que me levam às exposições, não sendo participativa em comentários com afinco, noutros blogues. Era só uma maneira de divulgar o meu trabalho criativo na escrita e de partilhar textos de outros autores de que gosto. Acontece que com as alterações que têm existido no blogspot, descobri que tenho imensas visitas. Bem mais do que aquelas que alguma vez pensei ter. Há pessoas a lerem o que escrevo até na Rússia - tenho 10 visualizações nesse país.

Assim, como a escrita não me deixa nem eu a ela, vou passar a escrever mais coisas. Publicar mais, participar mais, tudo mais. Os textos criativos manter-se-ão, mas hão-de começar a aparecer textos com outras linhas de criatividade e outros nada espantosos.

E eu tenho (sempre) tanta coisa para dizer e para reclamar. Comecemos, então, esta nova época do murmúrio infinito. A era da (possível) expansão. Obrigada a quem tem lido o que vou escrevendo e tem comentado.

 Zembora que só hão-de trazer coisas boas, estas novas partilhas.

É que esta mania de escrever, escrever e voltar a escrever não me larga.

Dia da criança.

Não serão ou deveriam ser todos os dias, dia da criança? Com direito a brincar, sujar-se, saltar, pular, esbardalhar-se, escarafunchar-se... Tudo aquilo a que tem direito e faz dela, por si só, uma criança.

Que neste dia valorizemos as nossas crianças - até aquela que carregamos diariamente connosco - e recordemos todas as que, por algum motivo, não podem nem conseguem fazer tudo aquilo que lhes é de direito. Brincar. Que vida tão escura deve ser a da criança que não brinca.

Que hoje, mesmo que por instantes, a essas crianças, lhes seja mostrado um arco-íris.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O hábito e a rotina do (meu) ciber espaço

Faz tempo que me habituei- creio que seja este o termo mais adequado - a falar mais com pessoas que não conheço fisicamente, do que com as que conheço.

Por um ponto simples. As que conheço fisicamente desertaram assim que fiquei em casa, com a primeira gravidez.

Assim, a minha opção foi atracar-me ao pc com unhas, dentes e todas as partes do corpo para pesquisar e saber se, eventualmente, mais pessoas existiriam na mesma situação do que eu.

Infelizmente, descobri que sim. Infelizmente, porque ninguém merece esse abandono sem razão válida. Chega quase a ser um estigma, este o da grávida esquecida pelos amigos.

Ao longo destes quase três anos, cruzei-me com tantas pessoas. Que aos poucos fazem parte de mim e do meu mundo. Que me têm em tanta estima e consideração como eu a elas. Acabamos por ser (quase) uma família. Virtual, mas família.

Descobri os fóruns, as internets e afins.

E o facebook!

De repente, começa a ser impossível mexer nele. Parece que ganhou vida própria e eu não lhe consigo fazer nada.

Deixei de conseguir "falar" com os tais amigos. Não consigo fazer nada de nada... Só uma coisita chamada "publicar ligações".

A aplicação tem a opção de colocar "gosto" nas publicações que são feitas e é uma pena que não haja a "não-gosto", porque seria a que eu escolheria, neste momento.

Tudo, fruto deste hábito e rotina de falar todos os dias com as mesmas pessoas, as MINHAS pessoas por lá. Pelo facebook...

E fico assim, neste silêncio do ciber espaço associado à página de que falo por tempo indeterminado. Não consigo comentar, "gostar" ou dizer as minhas estupidezes. Às tantas, alguém fartou-se das minhas coisices e catrapimba. É pena, se for esse o caso.

Raistapartissem, meu malfadado Facebook! E ao hábito e à rotina também...

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A profissão mais gratificante do mundo

Corre de boca em boca que a profissão mais gratificante do mundo é ser mãe.

É o quê?!

Creio que deve ter sido um homem a definir isto ou alguém a almejar tremendamente a maternidade.

Vamos começar pela gravidez? Que gratificação há em vomitar desalmadamente, andar a ser picada com agulhas para fazer análises ao sangue com uma periodicidade curtinha? E quando chegamos aquela fase em que mais-parecemos-uns-pinguins-porque-parece-que-o-equílibrio-se-foi-e-não-há-mais-nenhuma-maneira-de-andar?

Parece que levamos em conta aquela música que passa no canal panda: "rabo de pato, pés de pinguim."

Chegadas a essa fase, entramos também naquela em que não há posição na cama e aqui pode ter-se em conta a conotação normal e a sexual.

Abençoadas aquelas que conseguem ter relações sexuais até ao fim. Para mim, era coisa a mais... Ora mexe o bebé, ora mexe o outro, depois mexe o pai e o meu cérebro entrava em curto circuito com tanta mexidela ao mesmo tempo.

Jasuse!

Para virar na cama é quase preciso contratar uma empresa de gruas... Ver os pés, epá, nem o umbigo via, quanto mais os pés.

Só me lembrava deles porque me doíam bastante por causa dos edemas. Ah e porque precisava deles para andar, claro está.

Depois vem o parto. Ai o parto...

Dores e mais dores, gritos e estamos à espera da melhor coisa do mundo a acontecer-nos. Quando damos por ela, algumas vezes, a melhor coisa do mundo passou-nos ao lado, tão rápido que parecia um tiro. E ficamos com aquela sensação de "afinal, onde é que está a melhor coisa do mundo?"

Ele há coisas...

Bebé nascido e lá vêm aquelas coisas de que ninguém fala. Já sabem a complicação que é e por isso, o desenrascanso impera, mesmo quando se diz o contrário.

A casa, que poderia estar sempre limpa e arrumada, começa a parecer um campo de batalha. O cabeleireiro que se tem, passa a ser a almofada, com tantas voltas que lá damos com a cabeça enfiada a ver se adormecemos. Mas nem sempre o cansaço pode ser combatido.

O que passa a ser combatido é o mau cheiro das fraldas. Oh-valha-ma-deus... Como é possível um pivete tão grande de rabecos tão fofinhos?

Cá em casa, como é em dose tripla, às vezes, parece que temos incenso de rabeco-sujeco...

Quando eles acordam com a fralda cheia de pui (nome carinhoso dado pelo meu filho mais velho), digo amorosamente que acordámos na m*rda. Ninguém gosta de acordar naquela coisa, mas dizem que ser mãe é a profissão mais gratificante do mundo.

Aliado a isto, começam as novas bandas sonoras. Choros e mais choros. Às vezes, os guinchos também aparecem e regra geral trazem os amigos gritos.

Assim se passam os dias... Entre dá-o-leite-vê-se-a-tempratura-é-boa-dá-a-sopa-não-ponhas-ainda-sal-dá-a-papa-também-chegámos-à-fruta-dá-fruta.

E com o passar do tempo, a banda sonora começa a mudar. Mantem-se a já existente, mas junta-se uma melodia nova. A dos risos e gargalhadas. E é aqui que parece que nos chega a melhor coisa do mundo. Esquecemos tudo o que está para trás e enchemo-nos daquelas-coisas-que-só-as mães-e-pais-sentem-com os-seus-filhos.

Mas aquele cheirinho do incenso de rabeco sujeco não escapuliu.

Aos pouquinhos, vamos acordando mais tarde e eles também. E passamos a ter mais um cabeleireiro. O nosso filho. Torna-se perito em mexer-nos no cabelo num ápice.

Dia após dia, vai aparecendo uma descoberta nova para filhos e pais. Chega-se à rotina e tudo flui melhor.

Mas aquele cheiro de rabeco-sujeco, chega a ser intragável e teima em não desaparecer.

Chega aquele dia em que ouvimos o nosso filho a chamar por nós quando acorda, vezes sem fim: "mãe, mãe, mãe" e quando lá chegamos com o peito cheio de coisas boas, escutamos a terminação da frase "mãe, papa!". Ficamos quase reduzidas e suplantadas à qualidade de sermos aquelas-pessoas-que-fazem-as-comidas-e-lhas-dão.

No meio de tanta coisa, ainda há aquele dia em que o pai olha para o filho estarrecido, quase em pânico a pensar que o filho havia comido chocolate e inocentemente pergunta:
"Filho, como tens os dedos cheios de chocolate?"
O filho, por sua vez, na sua maior inocência, responde:
"É cocó!"

Devo ter rido e chorado ao mesmo tempo com esta situação.

Ai a gratificação...

E a saga continua...

Começamos a ter o peito descaído. Quer dizer... O meu descaído não está, tem é uma submissão muito grande face à gravidade. De tal forma que tenho um mamilo a bater no joelho e outro no tronozelo.

Devo dizer que é do melhor que há para a auto-estima. Vivam as mamas!

Quando comprei casa, dizia sempre que precisava de um avental e nunca o cheguei a comprar. Certamente porque estava à espera do momento certo para ter um. Tal como deve ser com a virgindade.
É igual, a primeira vez é a mais difícil.

Não comprei avental, porque a gravidez dos gémeo foi tão fofinha que me deu um na barriga. Pois é, pois é! Comprar avental para quê, se tenho um permanente?

Já não era amiga de correr, agora, ainda menos. Senão, é ver-me com a lei da gravidade a pulular no peito e na pançola que anda para cima e para baixo a cada passo de corrida. Naaaa, definitivamente não é para mim. Já me chega ter o cabelo vermelho para dar nas vistas, não preciso de ter quase um sinal luminoso a apontar para mim.

Também temos a fase da partilha da comida. Tão fofinhos que eles são. Mastigam e depois partilham entre eles e pior que tudo... Partilham comigo.

Há alturas em que penso que eles devem julgar que são filhos de uma pássara.

Perdoai-os, meu Deus, que eles não sabem o que fazem e são puros.

Hoje, mantém-se a parte da posição. É preciso alguma ginástica para encontrar uma posição confortável em que não faça-barulho-na-cama-e-em-que-tanto-o-peito-como-o-belo-avental-desta-pançola-não-façam-constantemente-ploc-ploc-ou-chap-chap-dependendo-da-onomatopeia-que-preferirem.

Isto de ser mãe tem muito que se lhe diga, tanto que nunca mais saía daqui.

Ai eu!

Mais do que gratificante, é encantadora esta coisa de ser-se mãe, mesmo quando o perfume que patrocina isto tudo é aquele oriundo dos rabecos-sujecos.

São impagáveis todas as situações pelas quais passo com os meus filhos, em casa e fora dela.

Ser mãe não é uma profissão, é tão só ser-se o que tudo condensa a palavra mãe. Que tem gratificação, alegrias, gargalhadas, noites não dormidas, noites a sonhar como será a cara do nosso filho (saltei esta parte nos filhos todos), mas também tem uma preocupação constante e perpétua, aquela que nos faz querer que os nossos filhos estejam sempre bem.

E a certeza que faremos tudo para que eles estejam assim mesmo. Sempre bem.