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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Não há!


De repente, a sombra tolda-me o sorriso... Trás de mão dada, lágrimas e dor. Aquela dor que nos rasga a voz, que nos apanha de surpresa e rebenta como uma bola de sabão.

Afinal, tudo é feito de bolas de sabão; ontem sim, hoje não e amanhã talvez. Rebentam no ar as incertezas.

Andamos todos numa corda bamba, mas não o queremos ver. O medo assombra-nos. Assim surge a mágoa do adeus... Do "sê feliz"! E também do "a felicidade está lá fora"...

Veio devagar, sem que eu esperasse... No fundo de mim, tinha-nos bem, voltávamos a reviver e reconquistar a nossa história - o que nos tornou grandes - , aos poucos... No fundo de mim... Não no teu fundo. Aquele que teimas em esconder sempre.

Para trás fica o último abraço, o último beijo... O último "amo-te"...
Há tanto que não oiço essa palavra... Há tanto tempo quanto não a sentes. O último riso... A última partilha...

O último infinitamente nós... Não há mais nós. Nem infinito.

Há esta tristeza latente que me tolda tudo, que me faz vociferar até me doer a alma...
Há esta vontade de te agarrar e não deixar partir...
Há este ar que teima em não entrar em mim...
Há o teu sorriso em cada filho nosso...
Hás tu em mim, sempre e para sempre!
Mas não há um nós...

Os contos de fadas existem, hão-de existir sempre. Nós tivemos um! E tal como os contos de fadas, temos também o nosso fim...

O amor e a nossa magia, fugiram-nos entre as mãos como grãos de areia e rolaram até ao mar.

Para sempre ficam palavras como as nossas, tudo o que construímos em conjunto e lutámos para ter... Assim como nós. Ficamos para trás, porque não há mais um nós...

Não há...

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