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segunda-feira, 28 de março de 2011

O Mundo


Acordo ao som da palavra mamã...

Embalo-os enquanto seguram o meu dedo com a força de uma vida pela frente...

Brincamos como se estivéssemos a caminhar para o pote de ouro que o final do arco-íris esconde...

Crescemos em uníssono, como o quarto crescente que rápido se torna em lua-cheia...

E todos os dias celebramos as nossas vidas no nosso mundo colorido.

Dei-vos a vida e vocês ofereceram-me o meu bem mais precioso... O mundo que cada um carrega consigo...

Henrique, Benjamim e Violeta, obrigada pelo riso, pelas gargalhadas, pelo choro, pela força de viver e conquistar...

Amo-vos mais que a tudo o que de bom tenho...

quinta-feira, 24 de março de 2011

A caminhada da utopia


A utopia está lá na linha do horizonte.
Aproximo-me dois passos, ela afasta-se dois passos.
Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos.
Por mais que eu caminhe, jamais a alcançarei.
Para que serve a utopia?
Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar...

Eduardo Galeano

quarta-feira, 23 de março de 2011

Nasceram os cerejas


O dia 6 de Março, começava igual a tantos outros os que se passaram no hospital...

Nada de novo, 3 dedos de dilatação, rolhão perdido, algumas contrações e estava tudo aparentemente estagnado.

Conversa para aqui, conversa para ali com uma enfermeira e sai-me um "hoje era um dia tão bom para que nascessem... Ou amanhã... gostava muito de entrar em trabalho de parto."

Ficámos a conversar umas valentes horas. Às escondidas, a dita enfermeira fez-me um toque para acelerar as coisas... E cerca de três horas depois outro toque.

Andei a fazer a maratona da unidade de internamento de medicina materno-fetal do hospital de Santa Maria lado a lado com o pai dos meus filhotes desde as 16h30 até às 20h.

Ainda andámos a brincar a dizer que quando menos esperássemos, eles nasciam e assim foi...

Estava eu na casa de banho a tentar decifrar se estava com cólicas ou contrações quando recebo uma mensagem duma GRANDE amiga a dizer que sabia que aquela seria a minha última noite como grávida...

Falei com a enfermeira que me pediu para vigiar o espaçamento entre as dores... 7 em 7 miutos, 5 em 5 e de repente... 3 em 3 minutos!

Ecoa o sinal de alarme interno, peço para ser observada e confirma-se o que tanto pedi. Entrei em trabalho de parto de forma normal, sem ser necessária indução...! Fiquei extasiada, mas depois fui engolida pela ignorância. "Então e agora? O que é que eu faço?"

Enviei mensagens a avisar quem julguei que deveria avisar e liguei para o pai.

Estava já com 4 dedos de dilatação.

Ainda andei mais um pouco na maratona, para ajudar a acelerar os desenvolvimentos e quando o Tiago chegou fomos para o piso dos partos.

Antes de entrar no elevador, a enfermeira que nos ajudou fez-me uma festa na cara e disse "Vai correr tudo bem, confia na equipa que te acompanhar, em Deus, em ti e nos teus filhos. Mereces tudo de bom, minha querida!"

Caiu-me uma lágrimazita, pedi-lhe a mão, dei-lhe um beijo e agradeci a tranquilidade que me tinha passado.

Quando cheguei ao piso dos partos, tinha já à minha espera uma equipa composta por uma médica, duas anestesistas e duas enfermeiras.

As dores estavam a começar a ser cada vez menos espaçadas, perguntaram-me se queria epidural, respondi afirmativamente. Entretanto, vejo-os a olhar muito espantados uns para os outros e escuto "Não pode ser epidural, não dá tempo, tem que ser a sequencial." Depois de administrada a anestesia e garantido que o efeito era o desejado é vista a dilatação. Tinha chegado aos 10 dedos no espaço de 10 minutos. Incrivel!

Ligam para o chefe de serviço que pediu para estar presente no parto dos cerejas, dada a hipotética complexidade do mesmo, uma vez que o Benjamim não parava quieto e a Violeta estava sentada e lá vem ele a correr, com um colega e avançamos para o bloco de partos, caso fosse necessário fazer cesariana de urgência.

Durante o trabalho de parto, ligam-me a um ECC, uma máquina de medir a tensão e queriam colocar soro, mas já não deu tempo para isso...

A vontade de fazer força, estava a começar a ficar incontrolável... Os médicos dizem que posso fazer força e eu pergunto pelo pai dos meus filhos "onde está o Tiago? Quero que ele estja connosco." Disseram-me que já não dava tempo para ele entrar, mas a verdade é que com a ecografia que ia sendo feita, perceberam que o parto podia não ter um desfecho feliz e por isso, ele foi informado da existência duma complicação que impedia que ele assistisse (só quando estivemos juntos me disse isto).

Força para aqui, força para ali e os médicos pedem para fazer muita força... Muita força, eu bem a fiz, mas em vez de fazer descer só o Benjamim, desciam ambos os meus bebés.

Não conseguia que ele descesse e por isso, foram buscar uma ventosa para que o encaixe fosse feito e eu faria o restante. Assim foi, encaixaram a cabeça do Benjamim no canal de saída, eu fiz força uma vez, como me foi pedido e o Benjamim nasceu às 1.45 da manhã!

Depois dele nascer, confirmou-se que a Violeta estava pélvica, que iria nascer de rabo e que tinha "muito cordão", segundo os médicos. Aqui entra a parte complicada (bem complicada por sinal).

O cordão estava enrolado ao pescoço, mas também ao tronco. Podia sufocar e morrer ao nascer.

Os médicos pediram-me para parar de fazer força quando o rabiosque dela saíu, ficaram cerca de 5 minutos a tentar ver qual a melhor forma de tirar o cordão dos locais onde estava e infelizmente, apesar de todos os cuidados, a Violeta nasceu inanimada e sem respirar.

Teve que ser reanimada...

Só após ter sido feita a reanimação com sucesso é que os médicos me explicaram a gravidade do que se tinha passado e do que acabara de acontecer.

Deram-me os parabéns por me ter portado tão bem e acatado sempre o que me haviam pedido.

Durante o trabalho de parto, a anestesista ía-me borrifando vários pontos do corpo com água, para ver como estava a minha sensibilidade, ía-me fazendo perguntas para me abstrair do que se passava, mas foi inevitável ver a reanimação da Violeta... Foi feita numa mesa pertinho de mim, no bloco de partos.

Felizmente, não percebi a dimensão da gravidade do que aconteceu, quando a Violeta nasceu e/ou quando estava a ser reanimada.

Só depois dos médicos conversarem comigo, explicar o que aconteceu e quais os cuidados que devia ter é que "caí" em mim...

Felizmente, a tranquilidade que a enfermeira me havia transmitido, esteve sempre comigo, assim como todas as luzes das velas que vocês acenderam e a minha filhota recebeu os cuidados necessários para regressar à vida.

Assim, o nome dela ficou Violeta da Luz! Da minha e das vossas luzes! Obrigada por todas as velas, preces e orações.

Tenho apenas três pontos, por causa da ventosa e estou bem.

Estamos todos bem!

O parto, segundo os médicos teve a duração de 40 minutos. Tempo desde que entrámos para o bloco até que foi terminada a costura. Foi realmente muito rápido, indolor...

Senti-me muito acompanhada, acarinhada e principalmente abençoada...!

Não chorei, não gritei, não gemi... Desta vez, apenas agradeci, com um dos meus maiores sorrisos - daqueles imensamente rasgados - o trabalho da equipa que esteve comigo naquele bloco. Afinal, eles devolveram a vida à minha filhota...