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segunda-feira, 26 de julho de 2010

As saudades da gravidez

Hoje, fiquei por casa, por ter passado mal a noite...

Um sentimento de revivalismo assombrou-me... Noite presenteada com vómitos, idas constantes à casa de banho...

Deitada na cama de barriga para baixo, nem pensar, porque faz doer... De um lado dói e do outro lado, curiosamente, também dói...

Mais vómitos, mais idas à casa de banho...

E o meu filho dormita feliz, de braços abertos para o Mundo e para o pai...

Só eu ando nesta correria, que ainda não percebo e ainda não terminou...

Nisto, vejo-me às 5h da manhã, sentada no canto da cama a admirar o meu filho a dormir...

Dorme, dorme, dorme, indiferente a tudo o que a gravidez me fez passar.

Dorme feliz. Encantado...

Dorme e adormece mimado pelo pai.

Nova correria para a casa de banho, mais um vómito e vim para a sala.

Aqui fiquei a ponderar se faria bem ir ou não trabalhar... Optei por não ir, pois não tinha descansado nada durante a noite, uma vez que voltei a ficar muito intíma da sanita, durante a noite que acabara de terminar.

Vou para o quarto, novamente, admiro um pouco o meu filho. Fico a adorá-lo...

E como que num flashback recordo tudo da gravidez que o gerou...

As partes boas, as menos boas, as felizes, as menos felizes, o parto, o nascimento, o que é sentir o meu filho a sair de dentro de mim, tendo sido apenas eu a ajudá-lo... Acabámos por nos ajudar. Ele fez a parte dele e eu a minha.

Ele presenteou-me com a sua vida e eu aguentei tudo a que me propus e ofereci para garantir que a prenda da vida dele seria infinitamente bem estimada, tratada, acarinhada e amada.

Aguentámos, cada um de nós à sua maneira, de forma ímpar e exemplar!

No hiato em que adoro o meu filho, antes de eu adormecer, fico feliz por nos saber tão fortes e tão especiais... Abafo qualquer voz que me apelide de má mãe, calo-a, com o que transmito quando olho para o meu filho que dormita de braços abertos para mim, para o Mundo e para vós.

Adormeço com a mão sobre a barriga, a fazer festas... Como que a sentir os movimentos quase frenéticos com que o Henrique falava comigo, já perto do dia em que ele pode ver, sentir e cheirar aqueles que escolheu para serem seus pais.

Eu... E o Tiago... Que me abraça enquanto faço festas na barriga, tentando de alguma forma sentir os movimentos que me foram dados outrora.

E sonho com gravidez... Sendo acordada do meu sonho pela forma mais sublime que os movimentos com que sonhei não me podem dar...

Fui acordada com uma gargalhada do meu filho, que apesar das lutas que travámos foi tão ou mais feliz que eu durante o tempo que nos foi dado para vivermos em exclusivo em função um do outro...

A nós, junta-se agora o pai...

E desta junção, depois das idas à casa de banho, as consultas hospitalares, as boas notícias, as notícias menos boas... Não nasceu o Henrique, nascemos e renascemos todos nós!

O Henrique... continua de braços abertos para o Mundo! E eu com a mão sobre a barriga....

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